O líder do Chega/Açores, José Pacheco, reconheceu hoje ser necessária uma análise dos apoios para os órgãos de comunicação social privados do arquipélago, mas recusou uma política de assistencialismo.

Em declarações à agência Lusa, José Pacheco, que é candidato nas eleições legislativas dos Açores como cabeça de lista pelos círculos de São Miguel e de compensação, começou por dizer que é preciso uma comunicação social boa, isenta e eficaz.

“O que nós não precisamos é de começar a atribuir apoios, apoios, apoios e começam a surgir como cogumelos pequenos jornais, pequenos órgãos de informação duvidosos, que a única coisa que fazem é publicar as notas de imprensa dos partidos do Governo”, afirmou o dirigente do Chega.

José Pacheco salientou que tem de ser feita uma análise.

“Temos de pensar todos, não podemos é depois estar aqui a criar um assistencialismo à comunicação e à pseudo comunicação social”, realçou.

Dezasseis órgãos de comunicação social privados dos Açores enviaram aos partidos que concorrem às eleições regionais uma carta alertando para a “dramática situação” vivida no setor e sugerindo um “acordo de regime” sobre os apoios a atribuir.

A missiva, noticiada pela Antena 1/Açores e a que Lusa teve acesso, é assinada pelos diários Açoriano Oriental e Correio dos Açores, em representação também dos jornais Diário Insular, Incentivo, Diário dos Açores, Dever, Ilha Maior, Jornal do Pico, Tribuna das Ilhas, e das rádios Atlântida, R80, Rádio Clube de Angra, Asas do Atlântico, Antena Nove, Cais e Rádio Comercial dos Açores.

Referindo o papel da comunicação social como “pilar do regime democrático e da própria autonomia” regional, e sublinhando que o seu trabalho é também de serviço público, os órgãos recordam a existência do programa Promédia, mas pedem outros apoios “vitais para a sua sobrevivência, nomeadamente o apoio aos custos de exploração e produção, que sofreram todos aumentos incomportáveis nos últimos anos”.

O candidato explicou que sempre foi da opinião de que o Promédia (Programa Regional de apoio à Comunicação Social Privada) tem de ser revisto e “tem de ser feito com alguma justiça”, alertando que, quando se começa a ser distribuído o “bolo, vai calhar muito pouco para cada um”.

“E, obviamente, quem realmente precisa e faz um trabalho sério em prol da informação e da formação até dos cidadãos nos Açores vai receber tão pouco que acaba por fechar a porta”, alertou, considerando que este deve ser o foco.

Adiantando conhecer bem este mundo, por ser profissional desta área, José Pacheco argumentou que “há órgãos de informação que recebem subsídios” aos quais não reconhece utilidade que “não seja publicar notas de imprensa”.

O Presidente da República decidiu dissolver o parlamento açoriano e marcar eleições antecipadas para 04 de fevereiro após o chumbo do Orçamento para este ano.

Onze candidaturas concorrem às legislativas regionais, com 57 lugares em disputa no hemiciclo: PSD/CDS-PP/PPM (coligação que governa a região atualmente), ADN, CDU (PCP/PEV), PAN, Alternativa 21 (MPT/Aliança), IL, Chega, BE, PS, JPP e Livre.

Em 2020, o PS venceu, mas perdeu a maioria absoluta, surgindo a coligação pós-eleitoral de direita, suportada por uma maioria de 29 deputados após assinar acordos de incidência parlamentar com o Chega e a IL (que o rompeu em 2023). PS, BE e PAN tiveram, no total, 28 mandatos.