O coordenador do BE/Açores, candidato às legislativas regionais, defendeu hoje a necessidade de resolver o problema da falta de estatuto e subsídio de risco aos bombeiros açorianos, acusando a coligação PSD/CDS-PP/PPM de usar o discurso da extrema-direita.

“José Manuel Bolieiro falhou com o compromisso aos bombeiros em não aprovar o novo estatuto, em não dignificar a carreira, em não criar um subsídio de risco, e isso tem de ser resolvido, não pode continuar”, afirmou António Lima, durante uma visita ao quartel dos Bombeiros Voluntários de Povoação, ilha de São Miguel.

O candidato do Bloco de Esquerda pelo círculo eleitoral de São Miguel ao sufrágio de 04 de fevereiro defendeu que “os bombeiros que trabalham nos quartéis, que prestam socorro às pessoas, têm que ser valorizados”.

Salientando que os bombeiros dos Açores promoveram no sábado uma marcha de protesto por “melhores condições salariais, um estatuto” e “subsídio de risco entre outras reivindicações”, António Lima considerou que as exigências “são justas” e que “muitas delas” integram o programa eleitoral do BE.

“Não é admissível que nós tenhamos a entrada na carreira de bombeiro neste momento, de tripulante de ambulância, que é aquilo que está definido na lei, um euro acima do salário mínimo”, apontou.

O dirigente do BE reconheceu que os bombeiros de Povoação possuem “boas instalações”, mas encontrou “também dificuldades”, como o carro de desencarceramento prometido “há mais de 10 anos” ou os “pagamentos em atraso, desde agosto do ano passado, do transporte não urgente de doentes por parte do hospital de Ponta Delgada”.

Situação que António Lima disse ser “fruto do subfinanciamento do Serviço Regional de Saúde”, que o “governo não resolveu, mas acentuou”, pois fornecedores não são apenas as multinacionais farmacêuticas, “são corporações de bombeiros que prestam um serviço essencial à população e que não podem naturalmente ficar meses” sem resposta.

O candidato bloquista aproveitou para responder a José Manuel Bolieiro, líder da coligação PSD/CDS-PP/PPM às legislativas regionais, que afirmou “que para se sair da pobreza era preciso trabalhar”.

“Nós temos o desemprego a 6% nos Açores, mas temos 26% da população em risco de pobreza, isso o que quer dizer é que grande parte da população que trabalha, que tem um salário, mesmo assim vive numa situação de risco de pobreza, que não consegue pagar as suas contas, não consegue pagar a casa, a conta do supermercado, a conta da luz e da água” e esse salário “não chega ao fim do mês”, contrapôs.

“Por isso, José Manuel Bolieiro está alheado da realidade e quer continuar com esta economia, quer continuar a tratar, por exemplo, os bombeiros desta forma, fazendo com que o seu salário seja o salário mínimo”, acusou António Lima.

Para do candidato do BE, “o Chega neste momento não está no governo dos Açores”, mas “parece que já está na coligação” e “com José Manuel Bolieiro”, e “a coligação está a adotar o discurso da extrema-direita”.

“Precisamos efetivamente de uma mudança nos Açores, de uma mudança de política, por uma política que valorize quem trabalha, valorize os bombeiros […], mas valorize todos os trabalhadores, garantindo que há salários dignos, garantindo que há efetivamente valorização das carreiras, que se combate a precariedade, que é também uma causa das situações de pobreza que temos Açores”, disse.

Pegando nos casos das famílias que vivem em “situação de pobreza” com um ou dois salários, o candidato do BE considerou que o atual presidente do Governo Regional e líder do PSD/Açores está a dizer que têm “que trabalhar mais” e “se calhar ter três ou quatro empregos para ter um salário que dê para as suas despesas” e que está a “querer virar açorianos contra açorianos”.

Além do BE, há 10 candidaturas na corrida eleitoral: PSD/CDS-PP/PPM, ADN, CDU (PCP/PEV), PAN, Alternativa 21 (MPT/Aliança), IL, Chega, PS, JPP e Livre.