O coordenador do BE/Açores, António Lima, pediu hoje o voto no partido nas eleições legislativas regionais de domingo, para afastar o Chega e toda a direita do Governo Regional.

“Votar no BE é o voto que é seguro, o voto numa esquerda que é de confiança que, no dia a seguir às eleições, servirá sempre para mudar de política e mudar de governo, para afastar o Chega e toda a direita que só criou pobreza e instabilidade”, afirmou António Lima, num comício na Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, com que o BE encerrou a campanha eleitoral.

No discurso, o cabeça de lista às eleições regionais pelos círculos de São Miguel e da compensação salientou que “sucessivas maiorias absolutas, do PSD, do PS e agora esta maioria, esta coligação de todas as direitas, mantiveram os Açores na cauda de quase todos os indicadores sociais”, considerando que a mudança de executivo, em 2020, deixou os Açores ainda piores do que estavam.

“Para responder às maiorias absolutas do PS, a solução, como se viu nos Açores, nunca é virar à direita, como se viu nestes três anos”, frisou António Lima, sustentando que “isso só traz retrocesso, empobrecimento, aliado, no caso dos Açores, a um caos permanente” no Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM, liderado por José Manuel Bolieiro).

Segundo o candidato, “a aliança entre a direita de José Manuel Bolieiro [PSD], o CDS de Artur Lima, o PPM de Paulo Estêvão, o Chega e a Iniciativa Liberal só trouxe aumento da pobreza e da desigualdade”, assim como o “aumento do nepotismo, das nomeações políticas para tudo e mais alguma coisa, dos negócios para amigos”.

O dirigente do BE referiu, por outro lado, ser incrível que, a três dias das eleições, o PS, liderado por Vasco Cordeiro, candidato a presidente do Governo Regional, “não tenha ainda sido capaz de responder afirmativamente ao desafio” que o BE fez, para “o diálogo, para discutir soluções concretas para a vida das pessoas, seja na saúde, na habitação, no trabalho”.

“Se a instabilidade está na direita e de lá não vêm soluções, como bem disse Vasco Cordeiro ontem [quinta-feira], então porque é que mantém o PS essa ideia de falar com a Iniciativa Liberal, de falar com o CDS ou de falar com o PSD até?”, questionou António Lima.

Para o candidato, “esta recusa do PS em dizer ao que vem torna ainda mais importante […] dar mais força ao BE”.

“É preciso dar mais força ao Bloco para Vasco Cordeiro ter de discutir” com o partido “a crise da habitação, como se salva o Serviço Regional de Saúde, como se combate a precariedade ou como se aumentam os salários nos Açores”, exemplificou.

E também “para discutir com o BE as soluções concretas para responder às crises que, diariamente, assolam a vida das pessoas, para travar o empobrecimento e crescimento das desigualdades que a direita aumentou”, acrescentou António Lima.

O Presidente da República decidiu dissolver o parlamento açoriano e marcar eleições antecipadas para o próximo domingo, dia 04 de fevereiro, após o chumbo do Orçamento para este ano. Onze candidaturas concorrem às legislativas regionais, com 57 lugares em disputa no hemiciclo: PSD/CDS-PP/PPM (coligação que governa a região atualmente), ADN, CDU (PCP/PEV), PAN, Alternativa 21 (MPT/Aliança), IL, Chega, BE, PS, JPP e Livre.

Em 2020, o PS venceu, mas perdeu a maioria absoluta, surgindo a coligação pós-eleitoral de direita, suportada por uma maioria de 29 deputados após assinar acordos de incidência parlamentar com o Chega e a IL (que o rompeu em 2023). PS, BE e PAN tiveram, no total, 28 mandatos.