O coordenador do BE/Açores, António Lima, considerou hoje essencial haver uma política de prevenção que permita reduzir o abandono de animais de companhia, referindo que há ainda muitos casos no arquipélago.

No âmbito da campanha eleitoral para as legislativas regionais de 04 de fevereiro, António Lima visitou hoje o canil do concelho da Ribeira Grande e recordou que desde 2016 o Bloco propôs, por diversas vezes, o fim do abate de animais de companhia e errantes, aprovado pelo parlamento regional em 2021.

Segundo o coordenador, que é o primeiro candidato do partido por São Miguel e pela compensação, esta foi uma medida essencial para existir uma política distinta de bem-estar animal, focada na prevenção, mas, ainda assim, “há muitos animais abandonados”.

Por isso, acrescentou, o BE é defensor de “campanhas permanentes de esterilização, que são fundamentais para evitar a sobrepopulação”, a par de programas de recolha de animais nas diferentes ilhas dos Açores.

Ainda de acordo com António Lima, “algumas dessas medidas não foram aplicadas, ficando na gaveta porque o governo de coligação [PSD/CDS-PP/PPM] tem muito pouca sensibilidade para esta área” e, durante a legislatura, “tentou até reverter a medida do fim do abate” nos centros de recolha oficiais dos Açores.

O bloquista defendeu igualmente a valorização do trabalho “feito pelos voluntários, que tiveram grandes dificuldades ao nível do financiamento de apoio que o Governo Regional lhes concede para fazerem parte deste trabalho, que é também responsabilidade do Estado na recolha de animais errantes”.

“Esse apoio, seja às associações, seja aos municípios, não foi aquilo que estava prometido, que era devido e é fundamental para o trabalho na área do bem-estar animal”, afirmou o candidato, considerando que “colocar nas mãos da coligação e da direita as políticas de bem-estar animal é um risco, um perigo”, porque se pode “regredir”.

Onze candidaturas concorrem às legislativas regionais: PSD/CDS-PP/PPM (coligação que governa a região atualmente), ADN, CDU (PCP/PEV), PAN, Alternativa 21 (MPT/Aliança), IL, Chega, BE, PS, JPP e Livre.

Em 2020, o PS venceu, mas perdeu a maioria absoluta, surgindo a coligação pós-eleitoral de direita, suportada por uma maioria de 29 deputados após assinar acordos de incidência parlamentar com o Chega e a IL (que o rompeu em 2023). PS, BE e PAN tiveram, no total, 28 mandatos.

Nas últimas legislativas regionais, o Bloco reforçou o número de votos, passando de 3.414 (3,87%) para 3.962 votos (3,96%), mas obteve o mesmo número de mandatos: um por São Miguel e outro pela compensação.