O cabeça de lista do JPP pelo círculo da compensação às eleições regionais dos Açores, Carlos Furtado, defendeu hoje a aposta no turismo de permanências longas e numa unidade de saúde privada na ilha Terceira.

“A ilha Terceira tem bom clima, boa gastronomia e as pessoas são simpáticas. Temos de começar a pensar num turismo em que as pessoas ficam aqui mais tempo: umas semanas, uns meses, um inverno. Isso aos poucos vai trazendo economia à ilha, vai fazendo com que as pessoas se calhar até vão comprando casa cá”, afirmou, em declarações aos jornalistas.

O candidato, que é também cabeça de lista do Juntos Pelo Povo (JPP) pela ilha de São Miguel e responsável pela coordenação política do partido nestas eleições, falava à margem de uma reunião com a direção da Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo (CCAH), na ilha Terceira.

Carlos Furtado defendeu ainda a criação de condições para a fixação de uma unidade de saúde privada na ilha Terceira.

“O sucesso da unidade de saúde privada de São Miguel veio mostrar que há espaço, neste momento, para mais uma unidade de saúde privada, que possa prestar serviço aos locais e às outras ilhas do grupo central”, frisou, alegando que podia “criar mais alguma economia na ilha durante todo o ano”.

À semelhança do que aconteceu em São Miguel, o candidato considerou que também na ilha Terceira deviam ser atribuídos apoios públicos à instalação de um hospital privado.

“Não podemos entrar numa economia, passo a expressão, comunista, de que não se vai pôr um escudo porque o privado vai ganhar dinheiro. Tem de haver dinâmicas e às vezes elas só são possíveis quando se dá o primeiro passo”, apontou.

Questionado sobre possíveis acordos de incidência parlamentar à esquerda ou à direita, o cabeça de lista do JPP por São Miguel, que foi eleito deputado pelo Chega em 2020, passando a independente, disse que não era o momento de falar disso, mas admitiu estar “disposto a viabilizar aquilo que o eleitorado entender”, vincando que o partido não será “uma força de bloqueio”.

“É preferível termos governos sem ser de maioria absoluta suportados por incidências parlamentares”, adiantou, ressalvando que “não acrescenta grande coisa um papel assinado, é apenas uma formalidade”.

Já o cabeça de lista do JPP pela ilha Terceira, Roberto Pires, propôs uma maior promoção de parques tecnológicos na ilha para fixar jovens e a criação de um apoio à reconstrução de casas em ruínas nas freguesias.

Roberto Pires disse que “a política está a ficar desacreditada” nos Açores, mas que as pessoas apoiam o JPP porque “é um partido que nasce da cidadania”, mostrando-se confiante de que serão a terceira força política mais votada.

O Presidente da República dissolveu o parlamento açoriano e marcou eleições antecipadas para 04 de fevereiro após o chumbo do Orçamento para este ano. Onze candidaturas concorrem às legislativas regionais: PSD/CDS-PP/PPM (coligação que governa a região atualmente), ADN, CDU (PCP/PEV), PAN, Alternativa 21 (MPT/Aliança), IL, Chega, BE, PS, JPP e Livre.

Em 2020, o PS venceu, mas perdeu a maioria absoluta, surgindo a coligação pós-eleitoral de direita, suportada por uma maioria de 29 deputados após assinar acordos de incidência parlamentar com o Chega e a IL (que o rompeu em 2023). PS, BE e PAN tiveram, no total, 28 mandatos.