“Ao ritmo a que o Governo está a executar o PRR da habitação levaríamos 10 anos a construir o que está previsto”, disse António Lima, apontando que “a crise da habitação é uma crise de hoje e é hoje que as pessoas precisam de respostas”. O Bloco propõe o aumento dos apoios às rendas, a regulação do negócio do alojamento local e a obrigação da reserva de uma percentagem de habitação a preços acessíveis nos novos empreendimentos privados.

Numa visita ao bairro Joaquim Alves, hoje de manhã, na companhia de Alexandra Manes, primeira candidata do Bloco pela Terceira, e Catarina Martins, dirigente nacional do partido, António Lima deixou críticas às políticas do PS e da coligação liderada pelo PSD que levaram à situação atual de crise na habitação.

“As políticas de habitação dos anteriores governos do PS já não davam resposta às necessidades” e hoje, perante o “aumento das rendas, dos juros e da especulação imobiliária” o governo regional de direita “não tem política de habitação”, assinalou António Lima

O coordenador do Bloco defende que é necessário aumentar os apoios às rendas, e defende que o Governo Regional também deve impor limites ao aumento das rendas nos próximos anos, porque tem competências para o fazer.

O Bloco considera também que é preciso regular o alojamento local, definindo regras e critérios que impeçam que haja zonas com demasiada concentração de casas convertidas em alojamento para turistas, o que faz disparar o preço das poucas casas que ficam disponíveis para arrendamento.

Além disso, como forma de aumentar a oferta de habitação a preços acessíveis, o Bloco defende que os novos empreendimentos habitacionais devem ficar obrigados a reservar uma percentagem de casas para um regime de compra ou arrendamento a preços acessíveis.

António Lima lembra que o salário médio é mais baixo nos Açores do que no resto do país, e que as famílias precisam de “casas que possam pagar”, porque “de outro modo estamos a condenar as pessoas a viver em más condições, a pagar rendas que são incomportáveis, ou a ter juros que as sufocam e não permitem chegar ao fim do mês”.

O coordenador do Bloco lembra que o atual governo dizia que os 60 milhões de euros que o PS tinha reservado para a habitação era pouco, mas na revisão do PRR, a coligação adicionou apenas mais 4 milhões de euros.

“Parece uma brincadeira: 60 milhões era muito pouco, mas mais 4 milhões já são suficientes para resolver a enorme crise na habitação?”, questionou.

Na visita ao Bairro Joaquim Alves, esta manhã, Alexandra Manes deixou críticas à política de habitação social que tem sido seguida pelos sucessivos governos: “A política de construção de bairros sociais não resolve os problemas de raiz e apenas contribuir para manter o estigma” que existe.

A candidata do Bloco pela Terceira defende que a Região devia ter optado por uma política de integração, dispersando a habitação social por todas as freguesias, melhorando transportes públicos e reabrindo escolas para dar vida às freguesias que sofrem um processo de despovoamento.

Alexandra Manes alertou ainda para o facto de as habitações do bairro Joaquim Alves terem telhados de fibrocimento: “Isto é um mar de amianto. Isto é um perigo para a saúde pública”.

A candidata não compreende como é que é possível que ainda vivam pessoas naquelas casas.

Se a falta de condições de habitabilidade das casas do Bairro Joaquim Alves foi o motivo que levou ao realojamento das famílias no Bairro Nossa Senhora de Fátima, não faz sentido o governo estar a usar as mesmas casas para, entretanto, alojar outras pessoas.

“É mais uma demonstração do desrespeito” deste governo pelas pessoas que têm dificuldades, concluiu Alexandra Manes.