Rui Teixeira, dirigente CDU Açores

O candidato da CDU pelo círculo de São Miguel às legislativas regionais nos Açores, Rui Teixeira, defendeu hoje que os terrenos da fábrica da Sinaga devem ser convertidos para combater lacunas de habitação e não para especulação imobiliária.

Rui Teixeira recordou que “há cerca de dois anos, foi com a ação da população e com a denúncia da CDU e a intervenção da junta de freguesia que o programa que o Governo Regional tinha para esse espaço [fábrica da Sinaga] foi interrompido, e estava destinado para mais especulação, o que não se precisa de todo”.

O candidato, que se deslocou hoje, de forma simbólica, à fábrica da Sinaga, indústria de transformação de açúcar, entretanto desativada, localizada em Ponta Delgada, defendeu que a região precisa de “soluções para a habitação”, sendo necessário que os Açores olhem para o setor “não como um luxo, mas como um direito que tem que ser garantido”.

Salientando que “nem todas as carteiras podem suportar a habitação”, uma vez que “uma grande franja da população tem dificuldades em manter a casa que tem ou encontrar uma para arrendar”, Rui Teixeira insistiu que “a região não se pode imiscuir de ter habitação pública”.

“Não necessariamente a habitação social, porque isso não só não resolveu o problema, como concentrou as bolsas de pobreza em alguns sítios e não lhes deu solução de uma vida digna”, referiu, considerando que não se pode “repetir esse erro”.

O que se pode fazer, defendeu, “é ter habitação que seja acessível para arrendamento, mas também com opção de compra para todos que possam dela precisar”.

Rui Teixeira alertou ainda que existe “neste momento um conjunto amplo de famílias monoparentais, em que um dos elementos está desempregado, de jovens que querem começar a sua vida e não conseguem, de gente que recebe o salário mínimo e pouco mais, até mil euros líquidos”.

Os jovens “não conseguem suportar os custos da habitação e acabam ou por ir viver com os pais ou para encontrar uma solução muito fora da zona onde trabalham”, o que “não é aceitável”, acrescentou.

Nesse sentido, Rui Teixeira defendeu que devem ser os bancos a pagar o aumento das prestações, “porque são eles que estão a lucrar”.

“São 12 milhões de euros por dia de lucros, 360 milhões por mês, mais do que três vezes o salário de todos os açorianos”, disse.

Outra das proposta da CDU é colocar um ‘ponto final’ na denominada lei das rendas que permite o despejo, uma vez que “não faz sentido que uma pessoa que não consegue a renda da casa seja despejada”.

O Presidente da República decidiu dissolver o parlamento açoriano e marcar eleições antecipadas para 04 de fevereiro após o chumbo do Orçamento para este ano.

Onze candidaturas concorrem às legislativas regionais, com 57 lugares em disputa no hemiciclo: PSD/CDS-PP/PPM (coligação que governa a região atualmente), ADN, CDU (PCP/PEV), PAN, Alternativa 21 (MPT/Aliança), IL, Chega, BE, PS, JPP e Livre.

Em 2020, o PS venceu, mas perdeu a maioria absoluta, surgindo a coligação pós-eleitoral de direita, suportada por uma maioria de 29 deputados após assinar acordos de incidência parlamentar com o Chega e a IL (que o rompeu em 2023). PS, BE e PAN tiveram, no total, 28 mandatos.

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