O porta-voz do Livre, Rui Tavares, considerou hoje “gravíssimo” que o líder do PSD/Açores abra a porta a um acordo com o Chega, após as eleições regionais de domingo, alegando que isso “desgostaria” os fundadores do partido.

“Acho gravíssimo que José Manuel Bolieiro abra a porta a acordos com um partido que francamente desgostaria os fundadores do PSD”, afirmou, acrescentando que o PSD foi “um partido muito importante” nos Açores e que “deu à política portuguesa pessoas como Mota Amaral, que foi presidente da Assembleia da República”.

Rui Tavares falava, em declarações aos jornalistas, na Praia da Vitória, na ilha Terceira, à margem de uma visita a dois bairros cedidos pela Força Aérea norte-americana ao Governo Regional dos Açores, numa ação de campanha para as eleições legislativas regionais, que decorrem no domingo.

Em 2020, o PS venceu as eleições nos Açores, mas perdeu a maioria absoluta. PSD, CDS-PP e PPM formaram governo, numa coligação pós-eleitoral, que contou com acordos de incidência parlamentar com Chega e Iniciativa Liberal.

O líder do Chega, André Ventura, já manifestou vontade de o partido integrar um governo nos Açores, mas o líder do PSD/Açores, que lidera também a candidatura da coligação às eleições legislativas regionais, José Manuel Bolieiro, tem recusado responder aos apelos do líder do PS/Açores, Vasco Cordeiro, para esclarecer a sua posição.

Para Rui Tavares, a coligação com o Chega numa solução governativa nos Açores é “um perigo muito grande”.

“Eu não sei se não percebem – se não percebem gabo-lhe a tranquilidade, porque estão a ser devorados por dentro pela extrema-direita – ou se simplesmente nos estão a tentar enganar e a tentar dizer que não há risco nenhum, quando qualquer açoriano ou açoriana sabe o que se passa, pelo menos nos Estados Unidos, onde toda a gente tem um primo ou uma prima”, alertou.

O porta-voz do Livre sublinhou que a direita “está num processo de canibalização interna” em Portugal, “em que o PSD e o Chega se querem devorar um ao outro e de vez em quando aparece a Iniciativa Liberal a querer privatizar o que falta”.

“Têm todo o direito e legitimidade de ganhar eleições e governar, mas neste momento, com a emergência de uma direita autoritária, que colocou toda a direita em crise, achamos que a direita tem de ter tempo para isolar e acantonar essa extrema direita e poder voltar ao que é a nossa casa comum”, defendeu.

O Livre tenta, pela terceira vez, eleger um deputado nos Açores, que Rui Tavares considera “necessário”, para promover o progresso e a ecologia e “afastar extremistas do poder”.

“Um deputado, uma deputada, vários deputados do Livre na Assembleia Legislativa dos Açores mudarão a maneira de fazer política, uma política mais próxima das pessoas, feita com soluções, com respeito pela inteligência das pessoas, provando que não é preciso andar aos gritos, insultar, ofender, mentir sobre o nosso país para que as pessoas vejam que a mudança pode ser feita”, salientou.

O dirigente do Livre considerou que “a política da maioria absoluta e da chantagem para o voto útil” já deu “muitos maus resultados” nos Açores e no país, por isso defendeu um governo apoiado por vários partidos, com um acordo de governação “negociado à vista de toda a gente, com a participação da sociedade civil”, que possa ser “escrutinado e fiscalizado pelas pessoas”.

Onze candidaturas concorrem às legislativas regionais nos Açores:  PSD/CDS-PP/PPM (coligação que governa a região atualmente), ADN, CDU (PCP/PEV), PAN, Alternativa 21 (MPT/Aliança), IL, Chega, BE, PS, JPP e Livre.

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