O líder do partido Juntos Pelo Povo (JPP) nos Açores, Carlos Furtado, quer obter representação parlamentar nas regionais antecipadas e ser “a terceira força política”, contribuindo com “uma lufada de ar fresco” para “uma política com seriedade”.

“Um grupo parlamentar neste momento na Assembleia Regional poderá constituir uma lufada de ar fresco, porque será uma forma de os cidadãos dizerem aos políticos tradicionais ‘nós queremos uma política de forma diferente’”, afirma Carlos Augusto Borges Rodrigues Furtado, eleito este mês dirigente regional do JPP, partido que concorre pela primeira vez às legislativas açorianas.

Numa entrevista à agência Lusa, o cabeça de lista por São Miguel recorda que a criação da estrutura açoriana do JPP, nascido na Madeira a partir de um movimento de cidadãos, ainda está em conclusão, visto que o trabalho foi “atropelado” pela antecipação das eleições.

O empresário e técnico projetista de 53 anos, natural e residente no concelho da Lagoa, ilha de São Miguel, tem o 6.º ano e foi líder do Chega nos Açores, mas abandonou o partido após divergências a nível nacional e regional, passando em 2021 (meses após ser eleito) a deputado independente. Declarou manter o apoio ao executivo PSD/CDS-PP/PPM, mas anunciou o fim do entendimento em março de 2023.

Destacando o trabalho como deputado, diz que não atendeu “a cores, mas sim às necessidades das pessoas”, pelo que algumas vezes votou “ao lado da esquerda”, outras “ao lado da direita”.

O JPP, sublinha, “é um partido diferente”, com “uma matriz de cidadania e proximidade ao eleitorado”. Nesta estreia, concorre em seis círculos eleitorais (há um por ilha e um de compensação, que reúne os votos não utilizados para eleger deputados nos círculos de ilha).

O ex-militante (durante 10 anos) do PSD, partido pelo qual foi vereador na Lagoa (entre 2009 e 2013 e entre 2017 e 2020), saiu “voluntariamente” da estrutura social-democrata açoriana.

Questionado sobre um eventual acordo pós-eleitoral, garante que “o JPP e o Carlos Furtado estarão sempre disponíveis para trabalhar com todos os partidos”, mas acrescenta que o tema “incidências parlamentares ou coligações” não está atualmente “no radar” do partido.

“Não estamos na disposição de passar cheques em branco como os partidos grandes gostam, que acontecem para terem umas muletas para chegarem à governação e fazerem o que querem”, explica.

O JPP defende um círculo eleitoral único que permita a redução do número de deputados, hoje de 57: “Este círculo teria que ter 28 deputados, integrando [ainda] os 19 municípios. Teríamos uma solução de 47 deputados em plenário e os municípios participariam num regime de não permanência, apenas nas reuniões plenárias”.

O partido entende que nas regionais devem ser distribuídos dois boletins de voto, um para a constituição da assembleia regional e outro para o executivo.

A saúde é outra prioridade – o Serviço Regional de Saúde “tem de ser parte ativa no pagamento de parte dos custos de saúde dos utentes que entenderem ir para o sistema privado”.

Preconiza ainda a formação de médicos de clínica geral “numa parceria entre as duas universidades das duas regiões autónomas”, para fixar mais jovens médicos.

“O maior desafio na atualidade é fixar pessoas na região e para tal é preciso que as pessoas sintam confiança na economia que temos, no Serviço Regional de Saúde que temos e na educação. E entendo que não há uma linguagem clara por parte dos partidos políticos”, refere.

Na educação, o partido propõe a criação de um sistema adicional de aulas, pela Internet, para suprir “ausências e a falta de professores”, e condições para promover o autoemprego, com vista a colmatar a falta de mão-de-obra.

Entre os votos validamente expressos nas regionais de 2020, o PS obteve 40,65% e a 25 mandatos no parlamento regional (perdendo a maioria absoluta), o PSD 35,05% e 21 mandatos, e o CDS-PP 5,73% e três mandatos (o partido integrou ainda uma coligação com o PPM no Corvo que conseguiu eleger um deputado monárquico).

O Chega foi a quarta força mais votada, com 5,26% e dois mandatos), seguindo-se o BE (3,96%, dois mandatos), o PPM (2,41%, um mandato, a que se soma o deputado eleito em coligação com o CDS-PP), a Iniciativa Liberal (2,01%, um mandato) e o PAN (2%, um mandato).

Em 04 de fevereiro concorrem 11 candidaturas, incluindo três coligações.