Rui Matos

O partido Alternativa Democrática Nacional (ADN) candidata-se pela primeira vez às eleições regionais dos Açores, marcadas para 04 de fevereiro, para impedir maiorias absolutas e ser “uma alternativa ao caos” que, segundo o coordenador regional, se vive no arquipélago.

“As pessoas já conhecem o PS e o PSD, dois grandes polvos que não fazem nada. É preciso dar oportunidade a novos partidos. Um partido com maioria absoluta [atua numa lógica de] ‘quer, posso e mando’. Os pequenos partidos é que podem ser uma alternativa para mudar o caos em que está a região e a uma autonomia que passa a vida de mão estendida à República”, afirma Rui Matos, em entrevista à agência Lusa.

O ADN estreia-se nas eleições antecipadas nos Açores por todos os círculos eleitorais, com o dirigente como cabeça de lista por São Miguel e pelo círculo regional de compensação (que reúne os votos que não foram aproveitados para a eleição de parlamentares nos nove círculos de ilha).

Rui Jorge de Sousa Matos, 56 anos, natural do concelho de Ponta Delgada, no qual reside, é empresário, tem o 12.º ano e foi o último líder do Partido Democrático do Atlântico (PDA), extinto em 2015 e o único partido que tinha sede nos Açores.

Para o candidato, “a pobreza nos Açores está muito enraizada”. Acusa os governantes – tanto do PSD como do PS – de gostarem que “as pessoas passem o resto da sua vida de mão estendida para as terem no seu controlo”.

Eleito há um mês dirigente regional, refere que “os políticos estão cada vez mais a olhar para o seu umbigo, esquecendo aquilo de que os açorianos precisam”.

A candidatura terá como lemas da campanha o combate à pobreza, a melhoria das “reformas miseráveis” e a defesa das carreiras profissionais dos professores.

Rui Matos elencou também como uma das principais bandeiras do programa eleitoral o setor da saúde, acusando os governos regionais do PS, e mais recentemente da coligação PSD/CDS-PP/PPM, de “deixarem arrastar os graves problemas” daquela área e defendendo mais investimento num setor onde “faltam recursos humanos, como auxiliares de ação médica, enfermeiros e médicos”.

No seu entendimento, os executivos do arquipélago têm estado a “gastar dinheiro em coisas desnecessárias”.

Por isso, pretende, por exemplo, a redução do número de deputados da Assembleia Legislativa Regional (atualmente 57), alegando que “os milhões gastos” pelo parlamento “davam para matar a fome a muita gente e dar um aumento mais digno para os reformados”.

O partido vai apostar numa campanha eleitoral nas redes sociais, em detrimento dos “gastos de dinheiros” que outras forças políticas fazem.

Rui Matos, que foi militante do PPM e candidato por aquele partido nas regionais de 2020, afirma que o ADN “não está aberto” a qualquer coligação pós-eleitoral, mas não rejeita um eventual “apoio parlamentar a alguma força política” para uma maioria estável, ainda que com “exigências em defesa dos interesses dos açorianos”.

Como meta em 04 de fevereiro, indica a eleição de “pelo menos um deputado ou dois”, assegurando que caso o ADN tenha representação parlamentar “vai exigir maior celeridade aos tribunais” nos “muitos processos parados que envolvem figuras politicas” na região.

Nas regionais de 2020 o PS obteve 40,65% dos votos validamente expressos e o PSD 35,05%, fixando a abstenção em 54,59%.

Entre os votos validamente expressos, o PS obteve 40.703 (correspondentes a 40,65% e a 25 mandatos no parlamento regional, perdendo a maioria absoluta), o PSD 35.094 (35,05%, 21 mandatos) e o CDS-PP 5.739, ou seja, 5,73% e três mandatos (o partido integrou ainda uma coligação com o PPM no Corvo que conseguiu eleger um deputado monárquico).

O Chega foi a quarta força mais votada, com 5.262 votos (5,26%, dois mandatos), seguindo-se o BE, com 3.962 (3,96%, dois mandatos), o PPM, com 2.415 (2,41%, um mandato, a que se soma o deputado eleito em coligação com o CDS-PP), a Iniciativa Liberal, com 2.012 (2,01%, um mandato), e o PAN, com 2.005 (2%, um mandato).

Às eleições de 04 de fevereiro concorrem, no total, 11 candidaturas, incluindo três coligações.