O presidente do PSD defendeu hoje que a coligação PSD/CDS-PP/PPM, que venceu no domingo as eleições regionais dos Açores, tem “todas as condições” para governar nos próximos quatro anos, avisando que só não será assim se PS e Chega se unirem.

“Não obstante não haver maioria absoluta da coligação, a verdade é que só pode haver um Governo alternativo se todas as outras forças políticas, e em particular duas – PS e Chega – se unirem, se coligarem”, afirmou Luís Montenegro, em declarações na sede do PSD/Açores, em Ponta Delgada.

Montenegro falou antes de José Manuel Bolieiro, de quem disse “ser o homem da noite”, e desejou-lhe “um grande mandato” como presidente do Governo Regional dos Açores.

“O povo açoriano está contigo, quer-te à frente do Governo Regional, tens todas as condições para levar este caminho por diante”, defendeu.

Para Luís Montenegro, os resultados de domingo “configuram uma situação política que dá a esta coligação condições de governabilidade nos próximos quatro anos na Região Autónoma dos Açores”.

Por isso, considerou, a questão de existir uma alternativa a um executivo PSD/CDS-PP/PPM deve ser colocada do lado das outras forças políticas, em particular, ao PS e ao Chega.

“Deste lado, há todas as condições para prosseguir o que foi a decisão do povo açoriano”, disse.

Sem responder a perguntas da comunicação social, uma vez que falou imediatamente antes de Bolieiro, o presidente do PSD considerou ainda o resultado nos Açores como “uma inspiração” para as legislativas nacionais de 10 de março e deixou um comentário sobre as sondagens que, a meio da semana, davam uma previsão de vitória ao PS/Açores.

“O que tivemos não foi uma mudança de pormenor, foi um contexto completamente diferente”, salientou, deixando um ‘recado’ sobre sondagens e também dirigido a comentadores.

“É minha convicção que anda muita gente, muitos líderes políticos, muitos intervenientes na praça pública, a falarem uns para os outros. Esta coligação falou para os açorianos e, até dia 10 de março, é isso que a coligação vai fazer: falar para as pessoas”, prometeu.

Montenegro fez questão de saudar todos os açorianos pelo aumento da participação eleitoral e “de forma especialíssima” José Manuel Bolieiro, que classificou como “o vencedor da noite”, salientando que o PSD já não vencia nos Açores há 32 anos.

O líder social-democrata defendeu que os açorianos aprovaram um projeto para desenvolver os Açores “que conseguiu baixar impostos, ter uma taxa de crescimento económico durante mais de 30 meses, baixar o desemprego e ter serviços públicos a funcionar com eficiência superior” à do Continente.

“É uma honra, como presidente do PSD, verificar como te relacionas com esta comunidade, como pões o interesse dos açorianos sempre a frente de qualquer outro interesse, incluindo o interesse do Partido Social-Democrata todos os interesses incluindo do PSD”, disse, dirigindo-se diretamente ao líder do PSD/Açores.

A coligação PSD/CDS-PP/PPM venceu hoje as eleições regionais dos Açores, com 42,08% dos votos, mas com 26 lugares no parlamento, ficando a três deputados da maioria absoluta, segundo dados oficiais provisórios.

O PS é a segunda força no arquipélago, com 23 mandatos (35,91%), seguido pelo Chega, com cinco mandatos (9,19%).

BE (2,54%), IL (2,15%) e PAN (1,65%) elegeram um deputado regional cada, completando os 57 eleitos.

Nas últimas regionais, a 25 de outubro de 2020, o PS já tinha perdido a maioria absoluta que detinha há 20 anos, apesar de continuar o partido mais votado, elegendo 25 deputados em 57, e acabou por ver formar-se uma maioria alternativa à direita.

PSD, CDS-PP e PPM, que juntos elegeram então 26 deputados (os mesmos que as três forças políticas conseguiram este domingo), fizeram uma coligação de Governo pós-eleitoral, chefiado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro, com acordos de incidência parlamentar com Chega e Iniciativa Liberal (IL), que acabou por o romper em março de 2023.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, marcou eleições regionais antecipadas para a Assembleia Legislativa Regional dos Açores na sequência do chumbo do Orçamento regional, em 23 de novembro, com votos contra de PS, BE e IL e abstenções do Chega e do PAN.