O cabeça de lista nos círculos de São Miguel e da compensação do JPP, Carlos Furtado, disse no domingo que o resultado nas eleições legislativas regionais dos Açores ficou “aquém da expectativa”, já que esperava a eleição de um deputado.

“O resultado ficou um bocado aquém da expectativa, já que esperava, pelo menos, a eleição de um deputado. Não aconteceu. Se calhar não aferi que era uma ambição bastante alta, já que é um partido com apenas dois meses na Madeira”, disse Carlos Furtado à Lusa.

A coligação PSD/CDS-PP/PPM venceu no domingo as eleições legislativas regionais dos Açores, elegendo 26 mandatos, ficando a três deputados da maioria absoluta, seguida do PS, que elegeu 23 mandatos e do Chega, que elegeu cinco.

Carlos Furtado, ex-líder regional do Chega, passou a deputado independente nove meses depois de ter sido eleito, em rutura com o líder nacional do partido e agora concorria pelo Juntos Pelo Povo (JPP), criado na Madeira e que pela primeira vez foi a eleições nos Açores.

Segundo o responsável, a próxima legislatura vai ter uma coligação que “não consegue governar sozinha” e “de uma forma ou de outra vai ficar dependente do Chega”.

“Estou em crer que num cenário de isto a correr bem, daqui por dois anos teremos eleições outra vez, a correr mal talvez daqui por uns dias. Vão gerar-se condições de completa ingovernabilidade”, apontou.

Carlos Furtado criticou ainda o partido de que já fez parte, ao considerar que o Chega “não tem massa intelectual para perceber como se faz um orçamento e quais as limitações e contingências orçamentais”, rematando: “A partir daí, temos meio caminho andando para a briga”.

O candidato do JPP disse que os resultados eleitorais “mostram que as pessoas se deixaram influenciar por clubismos”, considerando que o Chega, que ganhou cinco mandatos, “é a terceira força e não sabe como lá chegou”.

“Agora é a terceira força e terá de provar muito por essa legislatura fora”, acrescentou.

Carlos Furtado lembrou também que quer o PAN quer a Iniciativa Liberal “foram eleitos tangencialmente” e que o Bloco de Esquerda perdeu deputados, salientando serem três partidos “que trabalharam muito nesta legislatura e que não foram devidamente valorizados” pelo eleitorado.

“Eu também [trabalhei] e orgulho-me disso. Há iliteracia política por parte da população e o resultado eleitoral desta noite vislumbra uma legislatura muito difícil, mas os eleitores são responsáveis por isso”, frisou.

Criado na Madeira, com raízes num movimento de cidadãos, o JPP apresentou-se pela primeira vez a eleições nos Açores, com candidaturas em seis círculos.

Antes, o empresário de São Miguel tinha sido militante do PSD, partido pelo qual foi vereador da Câmara Municipal da Lagoa.

Enquanto líder regional do Chega, Carlos Furtado assinou um acordo de incidência parlamentar com PSD, CDS-PP e PPM, que garantia, em conjunto com um acordo entre PSD e IL, a maioria de deputados no parlamento à coligação de direita.

Quando passou a independente, garantiu que mantinha o apoio à coligação e, apesar de ter anunciado o fim desse apoio em março de 2023, votou favoravelmente todas as propostas de plano e orçamento, incluindo as de 2024, que foram chumbadas.

Em 2023, o JPP foi a terceira força política mais votada na Madeira, com 14.933 votos (11,33%) e cinco deputados, resultado que o partido assumiu querer replicar nos Açores.