O coordenador do BE/Açores defendeu hoje a criação de um plano regional de habitação para “analisar o estado do setor e criar soluções para o futuro” e que é preciso “regular e criar limites” ao alojamento local.

“Nos Açores não existem limites à conversão de casas onde vive gente, para serviços para turistas, que é o alojamento local. (…) E são menos casas que estão no mercado, são menos casas que estão no mercado de arrendamento, são menos casas que estão no mercado de compra e venda, sabendo que, nos Açores, praticamente não existe mercado de arrendamento”, disse hoje António Lima.

O cabeça de lista às eleições regionais de domingo pelos círculos de São Miguel e da compensação, que falava aos jornalistas em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, durante um encontro com o Movimento Habitat, referiu que, em algumas ilhas, por exemplo, quando são colocados professores, não têm local onde ficar, “nem uma casa e até nem sequer um quarto”.

“É preciso mudar esta política. Nós [BE] temos um conjunto de propostas que passam, em primeiro lugar, por algo tão simples como regular e criar limites ao alojamento local, que têm que ser definidos em função da realidade existente, para que não tenhamos zonas (…) que sejam progressivamente convertidas em locais sem vida, onde não vive ninguém, são apenas alojamento para turistas, quando há tanta necessidade” de habitação, sugeriu.

Segundo o líder do BE/Açores, o partido tem outras propostas para o setor da habitação, incluindo o combate à especulação imobiliária: “Temos que atualizar toda a legislação regional sobre habitação, criar um plano regional de habitação, que permita analisar o estado do setor e criar soluções para o futuro, para além de medidas de emergência, como atualizar apoios ao arrendamento”.

António Lima lembrou que no atual Governo (PSD/CDS-PP/PPM), como nos anteriores do PS, os apoios ao arrendamento “não têm tido atualizações no que diz respeito ao seu modo de funcionamento” nem em relação aos valores, apontando que as rendas “têm subido fortemente nos últimos anos, e o atual Governo de José Manuel Bolieiro assobiou para o lado, não fez absolutamente nada quanto a isso”.

“Nós assistimos, nos últimos três anos, a algo que já vinha a acontecer, na verdade, mas que se agravou perante o avolumar da crise da habitação. Tivemos um Governo [Regional] que pouco ou nada fez, em que a única medida que tinha era o dinheiro do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que pouco ou nada saiu do papel”, salientou.

O candidato do BE também defende uma mudança de executivo: “Nós temos que quebrar com esta política que levou à falta de respostas para a habitação e que levou ao empobrecimento dos Açores, levou a que os Açores fossem uma região mais desigual hoje do que eram em 2020”.

No ato eleitoral de domingo é preciso “impedir que o Chega chegue ao Governo” e “garantir que não há um novo Governo de direita”, disse António Lima.

Onze candidaturas concorrem às legislativas regionais, com 57 lugares em disputa no hemiciclo: PSD/CDS-PP/PPM (coligação que governa a região atualmente), ADN, CDU (PCP/PEV), PAN, Alternativa 21 (MPT/Aliança), IL, Chega, BE, PS, JPP e Livre.