O líder do Chega, André Ventura, disse hoje haver uma obsessão do PS nacional e do PS/Açores com o partido e assegurou que não se vergará aos dois partidos do sistema.

“A cada dia entra-nos pela casa adentro mais promiscuidade, mais podridão, mais amiguismo, o Chega não se vergará aos dois partidos do sistema: ou há um governo regional e nacional contra a corrupção, contra o amiguismo, contra o clientelismo ou não haverá governo”, avisou André Ventura.

O presidente do Chega falava aos jornalistas junto a uma cooperativa agrícola no concelho de Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, onde está a participar na campanha para as eleições legislativas regionais dos Açores.

Questionado sobre a sondagem para este sufrágio, da Universidade Católica Portuguesa para a RTP, Antena 1 e Público, que aponta uma vantagem para o PS (39%), enquanto a coligação PSD/CDS-PP/PPM obtém 36% das intenções de voto e o Chega atinge 9%, Ventura considerou haver “uma preponderância de três partidos na região”, PSD, PS e Chega, sendo que uma decisão se toma entre os três.

Sobre o apelo do líder do PS/Açores e candidato a presidente do executivo regional, Vasco Cordeiro, de que é necessário “mobilizar forças para impedir que o Chega” governe o arquipélago ou ter parte no governo da região, André Ventura argumentou que o PS “está a defender-se a ele próprio”.

“O medo do PS é que sabe que o Chega vai ser um partido firme na luta contra a corrupção, vai ser um partido firme na luta contra as nomeações de familiares e de amigos, e, por isso, o PS está a lutar pela sua sobrevivência, daí a obsessão com que o PS está a nível nacional e a nível regional [que] só fala do Chega, a toda a hora, a todo o momento”, adiantou.

Para André Ventura, apesar de o PS estar em primeiro lugar na sondagem, “não lhe valerá de nada se houver uma maioria à direita”.

Sobre eventuais exigências do Chega para integrar um futuro governo regional de direita, André Ventura declarou que o partido não exige nada sem ver os resultados, voltando a rejeitar acordos parlamentares.

“Eu não vejo como é que pode haver um acordo de governo sem a presença do Chega no governo”, reiterou.

Quanto à presença do líder nacional do PSD na noite eleitoral dos Açores, o presidente do Chega afirmou que Luís Montenegro “prefere vir para a festa, para as serpentinas e para o champanhe”, assinalando que, nas regionais da Madeira, “não correu bem”.

Já o líder do Chega/Açores, José Pacheco, cabeça de lista pelos círculos de São Miguel e de compensação, defendeu à Lusa a diversificação da agricultura.

No caso da produção de leite, José Pacheco alertou que “quem trabalha está refém da distribuição e a distribuição também mantém refém a indústria”, considerando que “os lavradores já se aperceberam, começaram a baixar a produção e a concentrar-se na carne”, que é “uma aposta inteligente”.

A sondagem para as eleições nos Açores, da Universidade Católica Portuguesa para a RTP, Antena 1 e Público, divulgada na terça-feira à noite, aponta uma vantagem para o PS (39%), enquanto a coligação PSD/CDS-PP/PPM obtém 36% das intenções de voto.

Já o Chega alcança 9% e o BE 3%. IL, CDU, PAN atingem, cada um, 2% das intenções de voto. Livre e JPP têm, nesta sondagem, 1% das intenções de voto, já o ADN recolhe menos de 1%.

O universo alvo é composto por pessoas com 18 ou mais anos recenseadas e residentes no arquipélago. Foram obtidos 2.297 inquéritos válidos de residentes nas ilhas de São Miguel e Terceira.

A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 2.297 inquiridos é de 2%, com um nível de confiança de 95%, segundo o Público.

O Presidente da República decidiu dissolver o parlamento açoriano e marcar eleições antecipadas para o próximo domingo, após o chumbo do Orçamento para este ano.

Onze candidaturas concorrem às legislativas regionais, com 57 lugares em disputa no hemiciclo: PSD/CDS-PP/PPM (coligação que governa a região atualmente), ADN, CDU (PCP/PEV), PAN, Alternativa 21 (MPT/Aliança), IL, Chega, BE, PS, JPP e Livre.

Em 2020, o PS venceu, mas perdeu a maioria absoluta, surgindo a coligação pós-eleitoral de direita, suportada por uma maioria de 29 deputados após assinar acordos de incidência parlamentar com o Chega e a IL (que o rompeu em 2023). PS, BE e PAN tiveram, no total, 28 mandatos.