O candidato do PS a presidente do Governo dos Açores nas eleições legislativas regionais pediu hoje uma “grande coligação de açorianos” em defesa da democracia e da tolerância face ao risco de haver um Governo Regional apoiado pelo Chega.

“Apelo a que se forme uma coligação de açorianos em defesa da democracia, em defesa da tolerância, em defesa de uma sociedade que se honre, dignifique, prestigie, baseada no respeito”, afirmou Vasco Cordeiro, na Lagoa, ilha de São Miguel, à margem de uma visita a uma empresa.

O cabeça de lista socialista pelos círculos de São Miguel e de compensação insistiu no apelo a esta coligação de açorianos, “socialistas, não socialistas, sociais-democratas, do centro, que acham que a atividade política e que o próximo Governo Regional deve ser baseado naqueles que são valores como a democracia, a liberdade, a tolerância, o respeito ao outro”.

“É isso que também está em causa no próximo domingo”, alertou, pedindo aos eleitores, “independentemente do partido a que pertençam, do cartão partidário que tenham, mas que prezam estes valores”, para votarem no PS.

Vasco Cordeiro disse ainda ser claro “o risco e a ameaça” de haver “um próximo Governo Regional do Chega”.

“Eu estou convencido, apesar dos desmentidos, de que há um acordo já firmado entre o PPM, o CDS, o PSD e o Chega, para, repetindo-se o quadro de 2020, tomarem o poder”, adiantou, rejeitando ser “baixa política” este tipo de acusações, “porque foi isso que [aqueles partidos] fizeram” no último sufrágio.

Questionado sobre a eventual formação de um bloco central, o candidato reafirmou o diálogo “com todos os partidos” que o queiram fazer com o PS.

Sobre o que o representante da República deve fazer na segunda-feira, caso se registe um cenário semelhante ao de 2020, Vasco Cordeiro salientou que “este é o tempo dos açorianos e da voz dos açorianos”, não querendo antecipar a posição de Pedro Catarino.

Confrontado com a sondagem divulgada na terça-feira, que aponta para uma vantagem para os socialistas, Vasco Cordeiro destacou a “onda crescente de apoio ao PS”.

“Também resulta claro uma preferência bastante expressiva dos açorianos na minha liderança como presidente do Governo”, adiantou.

Quanto a cenários pós-eleitorais, o líder regional socialista reiterou que “o PS falará com todos os partidos democráticos, democratas, autonomistas e que partilhem” com os socialistas “valores de respeito e tolerância”, excluindo Chega e ADN.

A sondagem para as eleições nos Açores, da Universidade Católica Portuguesa para a RTP, Antena 1 e Público, divulgada na terça-feira à noite, aponta uma vantagem para o PS (39%), enquanto a coligação PSD/CDS-PP/PPM obtém 36% das intenções de voto.

Já o Chega alcança 9% e o BE 3%. IL, CDU, PAN atingem, cada um, 2% das intenções de voto. Livre e JPP têm, nesta sondagem, 1% das intenções de voto, já o ADN recolhe menos de 1%.

O universo alvo é composto por pessoas com 18 ou mais anos recenseadas e residentes no arquipélago. Foram obtidos 2.297 inquéritos válidos de residentes nas ilhas de São Miguel e Terceira.

A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 2.297 inquiridos é de 2%, com um nível de confiança de 95%, segundo o Público.

O Presidente da República decidiu dissolver o parlamento açoriano e marcar eleições antecipadas para o próximo domingo, após o chumbo do Orçamento para este ano.

Onze candidaturas concorrem às legislativas regionais, com 57 lugares em disputa no hemiciclo: PSD/CDS-PP/PPM (coligação que governa a região atualmente), ADN, CDU (PCP/PEV), PAN, Alternativa 21 (MPT/Aliança), IL, Chega, BE, PS, JPP e Livre.

Em 2020, o PS venceu, mas perdeu a maioria absoluta, surgindo a coligação pós-eleitoral de direita, suportada por uma maioria de 29 deputados após assinar acordos de incidência parlamentar com o Chega e a IL (que o rompeu em 2023). PS, BE e PAN tiveram, no total, 28 mandatos.