O cabeça de lista do partido Juntos Pelo Povo (JPP) por São Miguel e pelo círculo de compensação às eleições regionais dos Açores defendeu hoje “discriminações positivas” que ajudem a aliviar os custos mensais das famílias.

“Há duas formas de beneficiar as pessoas. Uma forma é com a redução de impostos e essa matéria, como sabem, já está no limite mínimo, quer o IVA, o IRS, o IRC, estão nas suas taxas mínimas, mas há outras vias”, disse hoje Carlos Furtado à agência Lusa.

Segundo o candidato, quando o benefício dos cidadãos “não se consegue pela redução de impostos, que também é um mecanismo, pode-se conseguir pelas discriminações positivas em determinadas franjas da população que estão mais afetadas ou que estão com encargos adicionais”.

O também líder do JPP/Açores, que hoje se reuniu com a direção da Associação de Consumidores da Região dos Açores (ACRA), lembrou que nos orçamentos da região para 2023 e 2024 havia “uma rubrica para ajudar as famílias que estavam mais endividadas com a habitação”.

No entanto, salientou que a verba “era inadequada” para as necessidades da região, uma vez que há casos em que o custo da prestação da habitação aumentou “para mais do dobro”.

“Portanto, quando não se pode resolver o problema das pessoas pela redução de impostos por essa via que estamos a falar, porque é matéria de âmbito nacional, há espaço ainda por outra via que tem o mesmo efeito, que é criar apoios e discriminações positivas que possam possibilitar o alívio daquilo que são os custos mensais das famílias nos Açores”, defendeu.

Carlos Furtado enalteceu o facto de existir a ACRA, por “defender as pessoas em inúmeras matérias”, mas mostrou-se preocupado pela existência de dificuldades devido à “falta de dotação” do contrato que a associação tem com o Governo da região para o desenvolvimento das suas atividades.

No início da última semana de campanha para as eleições do dia 04 de fevereiro, Carlos Furtado também referiu que o JPP tem sido bem recebido pela população.

Aludiu à sondagem da Aximage para o jornal Açoriano Oriental e para a Rádio Açores/TSF, publicada no domingo, onde a coligação PSD/CDS-PP/PPM recolhe 36,6% das preferências dos inquiridos, o PS 33,5%, o Chega 6,3%, o Bloco de Esquerda (BE) 1,9% e a mesma percentagem de inquiridos dizem votar no PAN (1,9%), para dizer que espera que o resultado eleitoral seja diferente.

“Há por parte do eleitorado, segundo essa sondagem, uma valorização excessiva e incompreensiva de como se valorizam os dois partidos do arco da governação que estiveram muito mal nesta legislatura, com pouca produção legislativa, pouco sensíveis aos problemas das pessoas”, apontou.

O líder do JPP incomoda-se com “a ideia de perceber que o eleitorado não está atento a essas situações” e que se corre o risco de a noite eleitoral “ser uma noite de injustiça”.

“E, se isso acontecer, não tenho dúvidas nenhumas de que vamos para mais uma legislatura curta (…), porque quando não há responsabilidade, quando não há algum trabalho parlamentar, as coisas não vão funcionar”, concluiu.

Onze candidaturas concorrem às legislativas regionais, com 57 lugares em disputa no hemiciclo: PSD/CDS-PP/PPM (coligação que governa a região atualmente), ADN, CDU (PCP/PEV), PAN, Alternativa 21 (MPT/Aliança), IL, Chega, BE, PS, JPP e Livre.