A candidata da CDU às eleições legislativas regionais dos Açores Paula Decq Mota defendeu hoje uma aposta “forte, séria e real” na produção regional e lamentou a desconfiança em relação aos políticos devido à sucessão de casos polémicos.

“Gostaria de ver concretizada uma aposta forte, séria e real na produção regional, com uma política ou um programa sério de apoio à produção regional”, disse à agência Lusa Paula Decq Mota, após visitar a feira agrícola, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.

A candidata, que é cabeça de lista pelos círculos do Faial e de compensação, referiu que há “muitos lavradores que, ao longo dos anos, têm abandonado” a agricultura.

“A nossa agricultura é muito diversificada e poderia ser mais, mas com o trabalho que sentem e com a pouca valorização do produto, vão acabando por abandonar”, alertou, questionando: “O que é que são os Açores sem a sua lavoura e sem a sua agricultura desenvolvidas?”.

Para a candidata da CDU, que junta os partidos Comunista e Ecologista Os Verdes, “uma região sem esse setor de produção efetivamente forte fica cada vez mais dependente do exterior, à mercê de preços e de vontades que são alheias” ao que a população precisa.

Acompanhada por João Oliveira, primeiro candidato da CDU às eleições para o Parlamento Europeu, que hoje termina uma visita à Região Autónoma dos Açores, Paula Decq Mota insistiu na necessidade de um “programa forte de apoio” à lavoura e à valorização dos produtos”.

A candidata adiantou que, nos contactos com o eleitorado, muitas pessoas manifestam “um sentimento de desconfiança geral em relação aos políticos, por causa da sucessão de casos” polémicos.

“Nós tentamos dar uma palavra de esperança (…), que é possível políticas diferentes que sirvam os cidadãos e que não sirvam apenas os interesses partidários”, afirmou a cabeça de lista.

Realçando que esta coligação “nunca teve outro interesse que não a melhoria da vida das pessoas”, Paula Decq Mota notou que isso pode ser aferido com “exemplos concretos”, quer da postura, quer do histórico no parlamento regional.

A candidata admitiu ainda algum receio de que essa desconfiança possa potenciar a abstenção.

“Tenho algum receio que as pessoas sintam, com alguma falta de esperança, que o ir votar não vale a pena e é isso que nós temos de contrariar”, acrescentou, destacando que a “abstenção não só não resolve os problemas, como permite que outros consigam ficar em condições de manter tudo na mesma”.

O Presidente da República decidiu dissolver o parlamento açoriano e marcar eleições antecipadas para 04 de fevereiro após o chumbo do Orçamento para este ano. Onze candidaturas concorrem às legislativas regionais, com 57 lugares em disputa no hemiciclo: PSD/CDS-PP/PPM (coligação que governa a região atualmente), ADN, CDU (PCP/PEV), PAN, Alternativa 21 (MPT/Aliança), IL, Chega, BE, PS, JPP e Livre.

Em 2020, o PS venceu, mas perdeu a maioria absoluta, surgindo a coligação pós-eleitoral de direita, suportada por uma maioria de 29 deputados após assinar acordos de incidência parlamentar com o Chega e a IL (que o rompeu em 2023). PS, BE e PAN tiveram, no total, 28 mandatos.

O círculo eleitoral da Terceira, ao qual concorrem 10 forças políticas, elege 10 deputados para a Assembleia Legislativa Regional. Nas eleições regionais de 2020, o PS teve cinco mandatos, o PSD quatro e o CDS-PP um.

 

PUB