O coordenador do BE/Açores disse hoje que “tem sido uma opção” do poder manter vários problemas da região, e alertou que tanto a direita como o PS sozinho ou coligado com a direita vão piorar a situação das ilhas.

“Os Açores têm de ser mais do que uma bela região onde a maioria, a grande maioria, vive mal”, afirmou António Lima num almoço com militantes, que contou com a presença da líder bloquista, Mariana Mortágua, em Ponta Delgada.

O também cabeça de lista pelos círculos de São Miguel e da compensação às regionais de 04 de fevereiro disse que o partido tem estado a transmitir uma mensagem de esperança na campanha – “a esperança de quem não aceita o fatalismo de uma região sem futuro e sem horizonte”.

Sempre com críticas à gestão da coligação PSD/CDS-PP/PPM, formada após as eleições de 2020 e no poder desde então, o dirigente defendeu que não basta mudar de governo e que é preciso mudar de política, com a resposta às crises no centro das preocupações.

António Lima lamentou que o arquipélago não esteja a “garantir o futuro” a muitas pessoas que não têm um salário suficiente e condições de trabalho dignas, bem como a jovens que vão estudar para outras regiões e não veem o regresso com boas perspetivas.

Em causa, na sua opinião, não está uma situação inevitável, mas uma opção política: “Uma opção de quem decidiu que os Açores deveriam especializar-se em ser uma região onde quem trabalha fica com as migalhas e as elites de sempre com os lucros”.

“Tem sido uma opção fazer com que um quarto dos jovens não termine o ensino secundário, porque isso é que garante a mão-de-obra barata […]. Tem sido uma opção fazer com que poucos jovens vão para o ensino superior porque a massa crítica é uma ameaça aos poderes instalados”, acusou.

Tem também sido uma escolha, acrescentou, ter um Serviço Regional de Saúde com mais dificuldades em responder às pessoas, por ser “a única forma de alimentar um setor privado da saúde pago com dinheiro público”.

“Foi uma opção política de governos do PSD, de governos do PS e do tal atual governo da coligação de direita, que aprofunda este caminho como nunca. […] Não nos enganemos: a direita só aprofundará esses Açores cinzentos e o PS sozinho ou aliado à direta fará o que sempre fez, que é aplicar o programa da direita”, declarou, exemplificando com pagamentos e apoios entregues a privados em diferentes setores.

“Quando se trata de grandes negócios, a direita e o Partido Socialista entendem-se muito bem”, acrescentou.

O Presidente da República decidiu dissolver o parlamento açoriano e marcar eleições antecipadas para 04 de fevereiro após o chumbo do Orçamento para este ano. Onze candidaturas concorrem às legislativas regionais, com 57 lugares em disputa no hemiciclo: PSD/CDS-PP/PPM (coligação que governa a região atualmente), ADN, CDU (PCP/PEV), PAN, Alternativa 21 (MPT/Aliança), IL, Chega, BE, PS, JPP e Livre.

Em 2020, o PS venceu, mas perdeu a maioria absoluta, surgindo a coligação pós-eleitoral de direita, suportada por uma maioria de 29 deputados após assinar acordos de incidência parlamentar com o Chega e a IL (que o rompeu em 2023). PS, BE e PAN tiveram, no total, 28 mandatos.