O candidato do PS a presidente do Governo dos Açores nas legislativas regionais, Vasco Cordeiro, pediu na sexta-feira o voto no partido também nas legislativas nacionais, para uma “união de governos em favor” do arquipélago.

“Não só no dia 04 de fevereiro é importante votar no Partido Socialista, mas é importante que no próximo dia 10 de março se vote também no Partido Socialista, se vote também no Francisco César [cabeça de lista dos Açores]”, para garantir que “há uma união de governos em favor dos Açores e em favor dos açorianos”, afirmou Vasco Cordeiro.

Num jantar comício, na Cooperativa Bom Pastor, nos Arrifes, concelho de Ponta Delgada, Vasco Cordeiro, que é o cabeça de lista pelos círculos de São Miguel e de compensação, acusou o Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) de falar muito e de fazer muito pouco.

“Este Governo fala muito sobre as creches gratuitas, mas esquece-se de dizer que esta é uma medida implementada pelo Governo da República e paga pelo orçamento da Segurança Social”, observou.

Vasco Cordeiro disse que o executivo fala muito da baixa de impostos, “mas esquece-se de referir que foi um governo do PSD na República que cortou naquilo que eram as possibilidades das baixas de impostos na região”.

“Esquece-se até de dizer que, dentro da possibilidade de diminuição total dos impostos na nossa região, foram os governos do PS que diminuíram em maior percentagem os impostos na região, seja o IRS, o IRC ou o IVA”, continuou, imputando ao executivo regional a tentativa de “cavalgar algo que não é dele”, como os aumentos salariais ou das pensões.

Ao notar tratar-se de “medidas decididas e pagas pelo Governo da República”, o candidato defendeu que o Governo Regional devia “potenciá-las” com um contributo regional.

Entre vários aspetos do discurso, Vasco Cordeiro abordou a agricultura, perguntando, face à subida das taxas de juro, de que é o Governo Regional está à espera para acionar novamente a linha de apoio para compensar os agricultores dos encargos bancários das explorações.

Já na área da habitação, assinalou que “os mecanismos de apoio público à habitação que existem neste momento são os mesmos que existiam no último governo do PS”, os programas “Famílias com Futuro” ou “Casa Renovada, Casa Habitada”.

Considerando ser necessário “reformar, de alto a baixo, esses programas”, o candidato justificou que hoje as dificuldades de habitação estendem-se à classe média.

Outras medidas passam por “mobilizar a oferta pública de habitação”, seja em lotes infraestruturados ou em habitação, e “reanimar o mercado privado de habitação que, no caso dos Açores, é inexistente desde a crise financeira de 2008”, adiantou o também líder do PS/Açores e ex-presidente do Governo Regional (2012-2020).

“É preciso criar medidas, por exemplo, através de linhas de crédito bonificadas que possam ajudar a animar esse mercado e, por essa via, ajudar a aumentar a oferta de habitação”, afirmou Vasco Cordeiro.

O Presidente da República decidiu dissolver o parlamento açoriano e marcar eleições antecipadas para 04 de fevereiro após o chumbo do Orçamento para este ano. Onze candidaturas concorrem às legislativas regionais, com 57 lugares em disputa no hemiciclo: PSD/CDS-PP/PPM (coligação que governa a região atualmente), ADN, CDU (PCP/PEV), PAN, Alternativa 21 (MPT/Aliança), IL, Chega, BE, PS, JPP e Livre.

Em 2020, o PS venceu, mas perdeu a maioria absoluta, surgindo a coligação pós-eleitoral de direita, suportada por uma maioria de 29 deputados após assinar acordos de incidência parlamentar com o Chega e a IL (que o rompeu em 2023). PS, BE e PAN tiveram, no total, 28 mandatos.