O líder do PSD/Açores admitiu hoje que casos como o processo que investiga suspeitas de corrupção do presidente do Governo da Madeira perturbam a campanha eleitoral e remeteu para a justiça “o que é da justiça”.

“O que eu acho é que nestas situações, como em tantas outras, já no passado, à justiça o que é da justiça”, disse José Manuel Bolieiro aos jornalistas.

Questionado sobre o facto de o presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque (PSD), ter sido constituído arguido e de ter afirmado que não se demite, acrescentou que é da sua “profunda convicção de cidadão, a de que há que fazer prevalecer a presunção de inocência”.

“Este é um direito e uma vantagem do funcionamento da nossa justiça”, disse José Manuel Bolieiro, que também é presidente do Governo Regional dos Açores.

À margem de uma ação de campanha no aldeamento turístico da Aldeia de Cuada, na ilha das Flores, o também cabeça de lista da coligação PSD/CDS-PP/PPM pelos círculo de São Miguel nas legislativas regionais admitiu que, “infelizmente, estes acontecimentos perturbam o momento do esclarecimento cívico de campanha”.

Já quando interrogado sobre se situações desta natureza não poderão descredibilizar a política e os políticos e afastar as pessoas dos atos eleitorais respondeu: “Eu não posso negar que a corrupção e os casos de dificuldades que a investigação criminal também enfrenta possa dignificar a política”.

E prosseguiu: “Aliás, penso que tudo isso é sob o ponto de vista do prestígio da política e dos políticos um problema até para convencer as pessoas a participarem e não serem verdadeiramente indiferentes ao fenómeno político”.

Na sua opinião, a política “é uma coisa boa”: “É estarmos em missão e ao serviço do nosso povo e do futuro das nossas gerações mais novas e, portanto, eu quero comprometer-me, sobretudo, com isso. Com a humildade democrática e o reconhecimento que a justiça faz o seu caminho”. “E nós, na política, faremos o nosso. Eu, pelo menos, é isso que quero fazer. É fazer o meu caminho de serviço ao meu povo”, acrescentou.

Miguel Albuquerque (PSD) foi constituído arguido na quarta-feira, após a Polícia Judiciária ter realizado cerca de 130 buscas domiciliárias e não domiciliárias na Madeira (Funchal, Câmara de Lobos, Machico e Ribeira Brava), na Grande Lisboa (Oeiras, Linda-a-Velha, Porto Salvo, Bucelas e Lisboa), em Braga, Porto, Paredes, Aguiar da Beira e Ponta Delgada (Açores), no âmbito de três inquéritos dirigidos pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

A residência de Miguel Albuquerque e a Quinta Vigia, sede da presidência do Governo Regional (PSD/CDS-PP), também foram alvo de buscas, no decurso de um processo em que o presidente da Câmara do Funchal, Pedro Calado (PSD), e dois gestores ligados ao grupo de construção AFA foram detidos.

Hoje, em declarações aos jornalistas à margem das Conferências Atlânticas, em Câmara de Lobos, Miguel Albuquerque recusou comparar o seu caso com o que motivou a demissão do primeiro-ministro socialista, António Costa, reiterando que não se demite.