O candidato do PS a presidente do Governo dos Açores nas eleições legislativas regionais, Vasco Cordeiro, prometeu hoje a criação de um mecanismo financeiro para garantir às empresas pagamentos a tempo e horas.

Após uma reunião com a direção da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada, Vasco Cordeiro, cabeça de lista pelos círculos de São Miguel e de compensação, destacou “a necessidade de assegurar o pagamento a tempo e horas, quer no fornecimento de bens e serviços ao Governo, quer de apoios que estão previstos”.

A este propósito salientou, no programa do PS, a existência de uma “proposta de criação de um mecanismo financeiro”, para que tal suceda.

O candidato exemplificou que, “ao terceiro trimestre de 2023, a dívida dos três hospitais” dos Açores a fornecedores “ascendia ao valor recorde de 150 milhões de euros”.

“O problema está diagnosticado, o que é preciso agora são soluções”, declarou, esclarecendo que o mecanismo apresentado pelo PS é “devidamente articulado também com instituições bancárias”, para garantir que o pagamento às empresas “acontece numa determinada data”.

Questionado sobre a medida de endividamento zero da região autónoma, sublinhou que “não pode ser um fator impeditivo de aproveitar, cabalmente, fundos comunitários que são essenciais” para o seu desenvolvimento.

“A política de endividamento zero, como está a ser praticada neste momento, que serve apenas como desculpa quando um fornecedor reclama que tem uma fatura em atraso ou quando uma entidade diz que tem um apoio em atraso, isto não é nada”, considerou.

Vasco Cordeiro adiantou que na reunião foram ainda abordados o turismo e o transporte marítimo de viaturas.

“Esse transporte marítimo de viaturas deve ser algo articulado, construído, consensualizado com todos os operadores que existem neste momento (…), mas para nós é imperativo que, do ponto de vista até da própria operação logística, ela seja mais rápida, mais fácil, menos complexa do que atualmente existe”, declarou.

Quanto ao turismo, apontou “a necessidade imperiosa de ser retomado um processo de valorização, de planeamento, de análise prospetiva”, sobre os desafios para o futuro que “a atual conjuntura impõe e exige que seja feito”.

De manhã, o também líder do PS/Açores visitou as instalações do Grupo Marques, na Ribeira Grande, onde destacou outra proposta do partido, a implementação de “uma carta de investimentos estratégicos que permita conciliar a aplicação dos diversos fundos comunitários que, neste momento, a região tem à sua disposição”.

“Uma das grandes preocupações que nós temos e um dos alertas que temos feito de forma permanente é o risco que os Açores têm de perder fundos comunitários e, portanto, a existência de uma carta estratégica que dê previsibilidade aos empresários das diversas áreas quanto à forma, ao tempo e ao modo como estes fundos comunitários – Plano de Recuperação e Resiliência e Programa 2030 – serão aplicados” é uma proposta essencial neste momento, acrescentou.

Confrontado com a revelação do candidato da coligação PSD/CDS-PP/PPM à presidência do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, atual líder do executivo, de que, após a noite eleitoral em 2020, Vasco Cordeiro foi o primeiro a ir contactar o líder do CDS-PP/Açores para oferecer uma coligação, o socialista respondeu: “Houve contactos com vários partidos, à exceção do Chega na altura, tendo em vista o Partido Socialista corresponder à confiança maioritária que os açorianos tinham depositado no PS através do seu voto”.

O Presidente da República decidiu dissolver o parlamento açoriano e marcar eleições antecipadas para 04 de fevereiro após o chumbo do Orçamento para este ano. Onze candidaturas concorrem às legislativas regionais, com 57 lugares em disputa no hemiciclo: PSD/CDS-PP/PPM (coligação que governa a região atualmente), ADN, CDU (PCP/PEV), PAN, Alternativa 21 (MPT/Aliança), IL, Chega, BE, PS, JPP e Livre.

Em 2020, o PS venceu, mas perdeu a maioria absoluta, surgindo a coligação pós-eleitoral de direita, suportada por uma maioria de 29 deputados após assinar acordos de incidência parlamentar com o Chega e a IL (que o rompeu em 2023). PS, BE e PAN tiveram, no total, 28 mandatos.