O cabeça de lista da coligação PSD/CDS-PP/PPM às legislativas regionais açorianas, José Manuel Bolieiro, disse hoje que para o líder da oposição socialista Vasco Cordeiro “é útil uma cura de oposição, para ganhar a humildade”.

O atual presidente do Governo Regional e líder do PSD/Açores, que falava esta noite na ilha da Graciosa, na apresentação dos candidatos às eleições regionais antecipadas, respondeu a críticas do líder da oposição sobre a coligação que lidera e referiu que a mesma tem a sua liderança “inequívoca”.

Explicou que fazem parte da coligação o líder do CDS-PP, Artur Lima, o líder do PPM, Paulo Estêvão, mas a liderança é do PSD.

“Nós quisemos defender os interesses dos Açores e juntámo-nos porque unidos pelos Açores somos mais fortes. Mas não há confusão quanto à lealdade e ao reconhecimento da liderança”, assumiu.

E prosseguiu dizendo que “quando se diz hoje ‘cobras e lagartos’ do Dr. Artur Lima, do CDS, e desta coligação, que ninguém se entende, e que afinal são os responsáveis da instabilidade, para além de ser uma chapada mentira, procuram esconder uma atitude que em 2020 o PS e o seu líder assumiram”.

“É que, após a noite eleitoral o primeiro a ir contactar o líder do CDS-PP para oferecer uma coligação, não fui eu, foi o Dr. Vasco Cordeiro. E portanto, o homem que hoje nada a recomendava, foi a quem se dirigiu para tentar manter-se no poder, numa coligação que foi rejeitada”, apontou.

E continuou: “Que culpa tenho, que culpa posso ter eu desta arrogância de quem, querendo o diálogo, nunca permitiu o entendimento? (…) E por isso, não é para levar a sério qualquer acusação, porque é mentirosa, de que há instabilidade na coligação e que os responsáveis pela instabilidade estão nesta coligação”.

“Não é assim Dr. Vasco Cordeiro. A sua arrogância é que não permitiu entendimentos. E agora, dizer que vai ser dialogante porque aprendeu a lição. Em três anos de oposição é muito pouco tempo, porque foram 20 anos de poder e de arrogância. Três anos de cura na oposição, não dão para ganhar humildade, não dão para ganhar capacidade de diálogo e de concertação. Sim. É útil uma cura de oposição para ganhar a humildade”, afirmou.

No seu discurso, Bolieiro também lembrou que os socialistas não tiveram coragem de apresentar uma moção de censura e derrubar o Governo açoriano da coligação PSD/CDS-PP/PPM.

“Não foi isso que o PS e o seu líder fizeram. Não foi a somar à sua intervenção a coragem da decisão política de derrubar o Governo com a moção de censura. Foi planear, arranjar um parceiro, criar um sindicato e uma coligação negativa para derrubar o Governo que estava a fazer bem”, declarou.

Depois, referiu que entre 1996 e 2000, o PS estava no Governo com uma maioria relativa e o PSD e o CDS-PP tinham uma maioria no Parlamento, mas “nunca inviabilizaram os planos e orçamentos porque sempre puseram em primeiro lugar os interesses dos Açores em vez dos seus próprios interesses”.

“Nunca derrubaram um Governo de minoria. Porque amavam os Açores, porque achavam que deviam era defender o interesse da região e a estabilidade política e governativa”, recordou.

José Manuel Bolieiro que falava esta noite no Graciosa Futebol Clube, na apresentação da lista da coligação pelo círculo eleitoral daquela ilha, que é encabeçada por Bruto da Costa, referiu que a coligação pretende ganhar as eleições do dia 04 de fevereiro e eleger dois deputados pela Graciosa.

Onze candidaturas concorrem às legislativas regionais, com 57 lugares em disputa no hemiciclo: PSD/CDS-PP/PPM (coligação que governa a região atualmente), ADN, CDU (PCP/PEV), PAN, Alternativa 21 (MPT/Aliança), IL, Chega, BE, PS, JPP e Livre.