O Chega/Açores reivindicou hoje a criação de uma estrada alternativa para a freguesia da Ribeira Quente, em São Miguel, que ficou recentemente isolada, durante 15 horas, devido a derrocadas no único acesso existente.

“A solução é o que está prometido desde 1997: ter uma estrada alternativa. Obviamente, melhorando aquela, tentando criar ali condições de segurança, mas ter uma estrada alternativa”, afirmou, em declarações à Lusa, o líder regional e deputado único do Chega na Assembleia Legislativa dos Açores, José Pacheco, que visitou hoje a única estrada de acesso à Ribeira Quente, no concelho da Povoação.

Devido à passagem da depressão Óscar pelos Açores, que provocou chuva intensa na ilha de São Miguel, a estrada de acesso à Ribeira Quente ficou obstruída por derrocadas e a freguesia ficou isolada entre as 15:20 (16:20 em Lisboa) de terça-feira e as 06:20 de quarta-feira.

A circulação rodoviária na estrada está hoje interrompida, por risco de novas derrocadas, devido a novas previsões de chuva forte na ilha de São Miguel, estando autorizada apenas a circulação de veículos prioritários e de transporte de bens essenciais.

Segundo José Pacheco, quem se desloca àquela estrada percebe que “é demasiado perigoso” circular no local.

“À primeira enxurrada que tivemos mais a sério, muitas daquelas partes caíram. Nós pudemos constatar no local que é uma estrada de forte perigo. O semi-tunel é uma solução, mas tínhamos de fazer em vários troços da estrada”, apontou.

Em 1997, 29 pessoas morreram soterradas na Ribeira Quente, na sequência de derrocadas.

O deputado do Chega lembrou que, desde essa altura, é prometido um acesso alternativo à freguesia, mas nem os anteriores governos do PS, nem o atual (PSD/CDS-PP/PPM), que tomou posse em novembro de 2020, com o apoio parlamentar do Chega, avançaram com a obra, dando “desculpas esfarrapadas”.

“A população da Ribeira Quente está fortemente penalizada e, ao longo de décadas, tem andado de promessa em promessa e a verdade é que nada se fez”, frisou.

O Chega já entregou um requerimento na Assembleia Legislativa dos Açores sobre a situação e vai “apresentar uma proposta em plenário para que seja feito imediatamente um estudo de viabilidade para aquela estrada e consequentemente uma estrada alternativa”.

“Nós até vamos dando algum apoio parlamentar, mas não podemos ser cúmplices de nada se fazer”, sublinhou José Pacheco.

O líder regional do Chega alertou ainda para a necessidade de obras na estrada da Povoação, que também “é perigosa”.

“São Miguel tem-se visto esquecido no investimento público, não só na Ribeira Quente”, apontou, pedindo igualmente “prevenção” na limpeza de ribeiras, para evitar outras catástrofes.

“As nossas ribeiras são uma vergonha. A vegetação cresce desalmadamente, não há corte de árvores, não há limpeza”, criticou.