Há perguntas que deviam ser feitas, mas não o são. A razão é simples: as respostas incomodariam os poderes económicos instalados e levariam a questionar falsas verdades absolutas. No caso do texto de hoje, estou a pensar nos exames nacionais e nos rankings.

Terminado o ano letivo, o governo impõe um modelo de avaliação das aprendizagens que, durante um ano inteiro, diz ser incorreto. Hoje, não há um único estudo científico que indique qualquer mérito aos exames. Pelo contrário, a investigação em educação tem valorizado outras formas de avaliação, mais formativas, contínuas e ajustadas a cada realidade.

Longe de rigorosos e infalíveis, os exames fazem medições imperfeitas, geradoras de injustiças e desigualdades. Desde logo, porque é impossível, em 3 horas, avaliar 3 anos de aprendizagens, mas, sobretudo, porque Educar e Ensinar é muito mais do que treinar alunos para responder a exames e a questões padronizadas.

Assim, ficam algumas das perguntas que, todos os anos, são evitadas.

Porque é que não dão condições às escolas públicas, a começar por corpos docentes estáveis, funcionários em número adequado e um sistema de ação social escolar que combata as desigualdades?

Porque é que só quando as escolas privadas conseguem escolher a dedo os seus alunos é que surgem no topo dos rankings? Ou, visto de outra forma, porque é que as escolas privadas que não escolhem os seus alunos surgem, nos rankings, em posições semelhantes ou abaixo das escolas públicas suas vizinhas?

Porque é que o orçamento da Educação é metade do defendido pela OCDE?

Como se explicam as estatísticas que indicam que os estudantes das escolas públicas têm melhores resultados no Ensino Superior?

Porque é que se insiste, no século XXI, em recorrer a instrumentos de avaliação do século XIX, que esquecem competências essenciais como a criatividade, a capacidade para trabalhar em grupo ou a resolução de problemas?

A Escola Pública é, sem dúvida, uma das maiores conquistas da Revolução de Abril. Combate as desigualdades e a pobreza. Contribui, de forma decisiva, para o desenvolvimento económico de Portugal e dos Açores. Devia ser defendida todos os dias, pelos governos que não lhes dão as condições necessárias e que só se lembram dela quando convém.

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