Seja pela especulação e o consequente aumento dos preços, seja pelo aumento das prestações e das rendas, ter casa própria é cada vez mais difícil. O resultado é a impossibilidade de os jovens constituírem vida e família nos Açores e a saída de muitas famílias do seu lar. A situação afeta quase todos, mas é particularmente sentida pelas famílias monoparentais, em que apenas um dos elementos trabalha, com filhos a estudar fora, afetadas pelo desemprego, com salários próximos do salário mínimo, entre outras semelhantes.

Longe destas dificuldades, estão os bancos: 360 milhões de lucro todos os meses, o equivalente a mais de 3 meses de salário de todos os trabalhadores dos Açores juntos, conseguidos à custa do nosso empobrecimento. Quando os bancos têm prejuízos, somos obrigados a salvá-los, através dos nossos impostos, mas, quando há lucros, esses saem do bolso de quem trabalha!

É espantoso como alguns procurar disfarçar as suas enormes responsabilidades neste problema. Uns tentam esconder o efeito de uma economia liberal, pensada para produzir lucros, doa a quem doer! De facto, tanto o domínio dos bancos, como a especulação, são o resultado da liberalização do setor. As pessoas perdem a sua casa ou não conseguem encontrar casa para viver porque os seus rendimentos não são suficientes, e não porque há muita burocracia! Outros decidiram dizer agora que a culpa é dos bancos, quando ainda há poucos meses votaram contra as propostas dos deputados eleitos pela CDU de pôr os bancos a pagar o aumento das prestações. É caso para dizer que não têm vergonha!

A subida das prestações não é culpa das famílias, que estabeleceram uma prestação que podiam pagar! É uma opção do Banco Central Europeu, que afirma ser para controlar a inflação. Como se fosse possível controlar a inflação aumentando os preços! O resultado é profundamente injusto: a subida dos lucros dos bancos contrasta com o risco de perder a casa, para quem trabalha ou trabalhou toda a vida. A conclusão é óbvia: quem lucra com o aumento dos juros é que os deve pagar!

Há soluções para esta realidade dramática. A Região tem de aumentar, de forma significativa, a oferta de habitação pública, a preços acessíveis e para todos os que dela precisam, em todos os concelhos. Por outro lado, é essencial revogar a lei do CDS-PP, a chamada lei Cristas, que permite o despejo das famílias. Finalmente, é preciso que sejam os bancos a suportar o aumento das prestações das casas.

Nas vésperas das eleições, este foi o último texto que dediquei às propostas da CDU. Infelizmente, quem tem mais responsabilidades na situação atual preferiu disfarçar culpas e explorar polémicas secundárias. Estes últimos anos mostraram bem a falta que fazem deputados da CDU na Assembleia Regional. É quando a CDU tem mais deputados e não há maiorias absolutas que consegue aumentar os salários, melhorar os transportes públicos, investir na Saúde e na Escola Públicas. Esta é uma decisão cabe a cada eleitor. A mim, resta-me recordar que, quantos mais votos, quantos mais deputados tiver a CDU, mais força tem para concretizar as suas propostas!