O secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, disse hoje que o PSD inaugurou com o Chega uma nova aliança nos Açores, que designou de “Chega D”, destacando a instabilidade como uma marca do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM).

“Nos Açores, o PSD inaugurou uma nova aliança política, o ‘Chega D’, aliança entre o PSD e o Chega, [partidos] que não resolveram nenhum problema, antes acrescentaram problemas”, afirmou Pedro Nuno Santos, num jantar comício em Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel.

Perante cerca de 1.500 pessoas, dados da organização, o secretário-geral do PS referiu que, antes de formar Governo, José Manuel Bolieiro, líder do executivo e recandidato ao lugar, “tinha prometido aos açorianos que não faria nenhum acordo com o Chega”.

“Não faltou uma semana e meia, perante a necessidade, fez o acordo que sempre disse que nunca faria, o acordo com o Chega”, prosseguiu, questionando que “credibilidade tem Bolieiro para assumir compromissos perante os açorianos sobre com quem ou não vai ou vai governar”.

O dirigente socialista salientou que “nenhum açoriano pode hoje confiar num homem que disse uma coisa e fez exatamente o contrário pós-eleições”.

Num discurso no qual que colou sempre o Chega ao PSD, Pedro Nuno Santos adiantou que o ‘Chega D’ “não falhou só na instabilidade”, como “não conseguiu proporcionar aos açorianos resultados que prometiam”.

A este propósito salientou que “o PSD nos Açores, aliado ao Chega, queixando-se em 2020 de uma pesada herança, é capaz de, em 2024, deixar os Açores com uma dívida superior à que herdaram”.

“É nos resultados que o ‘Chega D’ ainda falha mais”, prosseguiu, apontando ainda o aumento da dívida pública, da pobreza e do abandono escolar precoce.

Segundo o secretário-geral do PS, “com o PS e com o Vasco Cordeiro [candidato socialista a presidente do Governo Regional] a pobreza desceu sempre, com o ‘Chega D’ a pobreza aumentou sempre”.

“O que eles fizeram em três anos foi transformar novamente os Açores na região mais pobre do país, porque o PSD cedeu à chantagem do Chega ao discurso demagógico, desrespeitoso para com os pobres e para com o povo”, acusou, considerando que o chefe do executivo insular, “condicionado pelo Chega, fez um corte recorde nos apoios sociais”.

Pedindo a mobilização dos eleitores para se conseguir “voltar a ter os Açores numa trajetória de recuperação, de crescimento”, Pedro Nuno Santos referiu-se a Vasco como “o político açoriano com mais competência, com mais experiência que há nesta região autónoma, um dos melhores do país”, com “competência, experiência, respeito no país e respeito na Europa”.

Sobre a autonomia, salientou que esta “é uma tarefa inacabada” e para continuar a ser feita juntamente.

“E é por isso que, para nós, hoje, 50 anos depois do 25 de Abril, não faz qualquer sentido a figura de Representante da República numa região, não é uma colónia, é uma região”, declarou.

Destacando que “os Açores acrescentam território, acrescentam mar a Portugal”, Pedro Nuno Santos frisou ainda que “não passa pela cabeça de nenhum socialista em Lisboa achar que pode gerir a imensidão deste mar sem respeitar, sem envolver os Açores”.

“A gestão do mar tem de ter os Açores”, sustentou, acrescentando que “autonomia não é desresponsabilização do Governo da República”.

“Nós, enquanto Governo da República, queremos estar ao lado dos açorianos para ajudar a resolver os problemas”, acrescentou, assegurando que podem contar sempre com o Governo da República e com o PS a nível nacional.

O Presidente da República decidiu dissolver o parlamento açoriano e marcar eleições antecipadas para o próximo domingo, dia 04 de fevereiro, após o chumbo do Orçamento para este ano. Onze candidaturas concorrem às legislativas regionais, com 57 lugares em disputa no hemiciclo:  PSD/CDS-PP/PPM (coligação que governa a região atualmente), ADN, CDU (PCP/PEV), PAN, Alternativa 21 (MPT/Aliança), IL, Chega, BE, PS, JPP e Livre.

Em 2020, o PS venceu, mas perdeu a maioria absoluta, surgindo a coligação pós-eleitoral de direita, suportada por uma maioria de 29 deputados após assinar acordos de incidência parlamentar com o Chega e a IL (que o rompeu em 2023). PS, BE e PAN tiveram, no total, 28 mandatos.