Na manhã do penúltimo dia da campanha para as legislativas açorianas, os caminhos de quatro candidaturas foram dar à feira agrícola de Santana, na Ribeira Grande, mas apenas PS e JPP chegaram a cruzar-se, com breves e cordiais cumprimentos.

Com a proximidade das horas para que estavam agendadas as iniciativas dos líderes regionais do JPP, do PS, do PSD e do Chega (a cada meia hora, por esta ordem, a partir das 09:00), vários encontros de candidatos eram possíveis.

O social-democrata José Manuel Bolieiro (candidato da coligação PSD/CDS-PP/PPM, atualmente no poder) e o líder do Chega, André Ventura, acompanhado do principal candidato do partido, José Pacheco, chegaram a estar no recinto ao mesmo tempo, por cerca de 20 minutos, mas o frente a frente não chegou a acontecer.

Questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade de se cruzar com Bolieiro (também presidente do Governo Regional), André Ventura disse que o cumprimentaria – tal como faria com o secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, que está na campanha hoje e na sexta-feira -, até porque tem “uma boa relação, cordial”, com o social-democrata.

“Um cumprimento de cortesia democrática, não mais do que isso. Não seria, obviamente, insensível, porque nos encontramos todos a fazer a defesa da democracia, mas cada um segue o seu caminho. E o meu é, inequivocamente, o caminho da social-democracia cristã e ecológica que esta coligação PSD/CDS/PPM representa”, respondeu, por seu turno, José Manuel Bolieiro, sobre um eventual encontro com o Chega ou o PS na feira.

Por entre as bancas de frutas e legumes e os postos de venda de animais, em dia de feira semanal, os cabeças de lista das quatro candidaturas ouviram e cumprimentaram produtores e clientes, enquanto as suas equipas exibiam bandeiras com os nomes dos partidos e distribuíam brindes, de canetas e cadernos a t-shirts.

O líder do PS/Açores, Vasco Cordeiro, ex-presidente do Governo Regional, aproveitou para comer umas favas e rejeitou, perante uma pergunta da comunicação social, que estas eleições sejam favas contadas.

“É uma eleição que tem obviamente as características que tem e o povo decidirá. Eu sempre estive, estou e estarei confortável com aquilo que o povo decidir”, declarou Cordeiro, que em 2020 venceu as eleições, mas viu a governação ser ocupada pela alternativa formada à direita.

Mais à frente, cruzou-se com o líder regional do JPP, Carlos Furtado (deputado eleito pelo Chega e que se desvinculou do partido, permanecendo como independente no hemiciclo), e houve, de parte a parte, cumprimentos e desejos de saúde e bom trabalho.

“Nós já nos conhecemos há algum tempo e, portanto, conversamos sempre, mesmo quando concordamos em não concordar”, explicou o socialista.

Reiterando que, após domingo, o PS dialogará com todos os partidos que quiserem conversar e partilhem um núcleo essencial de valores – o que exclui o Chega e o ADN, no seu entendimento -, o dirigente voltou a afirmar-se “convencido de que há um acordo” entre a coligação e o Chega, tendo em conta o entendimento parlamentar formalizado nas anteriores legislativas.

“Neste momento, que eu saiba, não houve ainda uma declaração clara e inequívoca da coligação a dizer ‘se se repetir a situação de 2020, nós não faremos um acordo com o Chega’”, destacou.

Pouco depois, José Manuel Bolieiro voltou a criticar “a tentativa de falsearem reuniões e acordos”, e afirmou que não faz parte do seu “cenário” integrar o Chega, voltando a pedir uma maioria absoluta que garanta estabilidade.

O Chega já assumiu nesta campanha que ambiciona ir além do acordo de incidência parlamentar de 2020 e integrar o executivo nas ilhas, desde que a coligação assuma determinados compromissos.

Ainda assim, André Ventura disse esta manhã não ter havido agora qualquer encontro para negociações e considerou que o Partido Socialista levantou a questão por estar preocupado com a possibilidade de o Chega conseguir entrar no executivo.

O Presidente da República decidiu dissolver o parlamento açoriano e marcar eleições antecipadas para 04 de fevereiro após o chumbo do Orçamento para este ano. Onze candidaturas concorrem às legislativas regionais, com 57 lugares em disputa no hemiciclo: PSD/CDS-PP/PPM, ADN, CDU (PCP/PEV), PAN, Alternativa 21 (MPT/Aliança), IL, Chega, BE, PS, JPP e Livre.

Em 2020, o PS venceu, mas perdeu a maioria absoluta, surgindo a coligação pós-eleitoral de direita, suportada por uma maioria de 29 deputados após assinar acordos de incidência parlamentar com o Chega e a IL (que o rompeu em 2023). PS, BE e PAN tiveram, no total, 28 mandatos.