O líder do Chega/Açores defendeu hoje o fim da desvalorização do queijo de São Jorge, por considerar tratar-se de “um produto de excelência” e único, que deve ter no mercado “um valor de comercialização muito melhor”.

“Tem é que se parar de desvalorizar o queijo de São Jorge. O queijo de São Jorge não pode ser comercializado como ‘linha branca’, não pode ser comercializado como um produto vulgar, tem que ser comercializado como um produto de excelência”, disse hoje José Pacheco à agência Lusa.

No terceiro dia de campanha, o cabeça de lista do Chega por São Miguel e pelo círculo regional de compensação, que se encontra no município de Velas, na ilha de São Jorge, disse não compreender como é que o queijo local, que tem a denominação DOP (Denominação de Origem Protegida), continua a ser vendido ao “desbarato”.

“Eu não compreendo. A maior parte dos jorgenses não compreendem, os lavradores não compreendem que tendo um produto tão bom, tão bom, como o queijo São Jorge, se continue a vender ao desbarato. E, normalmente, o desbarato vai para as grandes superfícies, porque o consumidor não está a usufruir disso”, afirmou José Pacheco.

Na sua opinião, o cenário atual está “completamente errado”, daí que, por se tratar de um produto único, tenha que ter “um valor de comercialização muito melhor”.

“Neste momento, o que temos visto é que as cadeias, as grandes superfícies [comerciais] […] mantêm refém toda a nossa indústria e toda a nossa produção de laticínios. E isto não está correto”, afirmou.

O candidato e líder do Chega nos Açores salientou que, sendo o queijo um produto diferenciado e com valor, “tem que ser pago justamente pelo valor que tem”.

Nas declarações à Lusa, José Pacheco também explicou que a sua presença em São Jorge, uma ilha que está “distante dos centros de decisão”, significa que para o Chega é preciso “unir os Açores” e criar acessibilidades entre as ilhas.

“Eu defendo o desenvolvimento harmonioso dos Açores e, aqui, em São Jorge, as pessoas sentem-se esquecidas. [Na presente legislatura, 2020-2023] tiveram três deputados de partidos diferentes […] e continuam a sentir que não são bem representadas”, justificou.

No circulo eleitoral de São Jorge o Chega apresenta uma lista de candidatos credíveis que poderão “contrariar este sentimento de abandono e de esquecimento” do território, acrescentou.

O Presidente da República dissolveu o parlamento açoriano e marcou eleições antecipadas após o chumbo do Orçamento para este ano.

Onze candidaturas concorrem às legislativas regionais: PSD/CDS-PP/PPM (coligação que governa a região atualmente), ADN, CDU (PCP/PEV), PAN, Alternativa 21 (MPT/Aliança), IL, Chega, BE, PS, JPP e Livre.

Em 2020, o PS venceu, mas perdeu a maioria absoluta, surgindo a coligação pós-eleitoral de direita, suportada por uma maioria de 29 deputados após assinar acordos de incidência parlamentar com o Chega e a IL (que o rompeu em 2023). PS, BE e PAN tiveram, no total, 28 mandatos.