O porta-voz do PAN nos Açores e candidato às eleições regionais de 04 de fevereiro, Pedro Neves, defendeu hoje uma maior diversificação da economia açoriana e uma aposta nas novas tecnologias.

“Sem dúvida que o setor tecnológico pode ser muito bom. Já foi demonstrado nas outras regiões ultraperiféricas que, se tivermos conteúdos digitais, sejam eles em termos de programação ou de conteúdo, em termos de marketing digital – que é o que esta geração melhor faz – e tivermos estes cursos, conseguimos vender esses serviços a nível mundial”, afirmou, em declarações aos jornalistas.

Pedro Neves, primeiro candidato do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) pelo círculo eleitoral de São Miguel e pelo círculo de compensação, por onde foi eleito em 2020, falava à margem de uma visita à Escola Profissional da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo, acompanhado pelo cabeça de lista pelo círculo da ilha Terceira, Frederico Ferreira.

O porta-voz do PAN acusou os anteriores executivos açorianos, do PS e da coligação PSD/CDS-PP/PPM, de não corresponderem “às necessidades dos jovens”.

“Com estas novas gerações temos de olhar de forma diferente a forma produtiva. Em vez de termos monoculturas, temos de pensar também em alargar um pouco o nosso setor, porque é a única forma de a Região Autónoma dos Açores sair sempre do mesmo PIB [Produto Interno Bruto] e das mesmas dificuldades”, frisou.

O candidato defendeu que o executivo “tem de intervir no ensino profissional”, mas também tem de ter “outro tipo de pensamento”, para que a região não continue a apostar apenas num setor, criticando o investimento dos orçamentos regionais na pecuária.

“Toda a gente diz que a força produtora é o setor leiteiro. Já não é há uns anos, desde 2015. Desde que as quotas leiteiras deixaram de existir que demonstraram a fragilidade do setor e dos ‘lobbies’ internos, que são muito fortes”, vincou.

Segundo Pedro Neves, é preciso também combater a falta de mão de obra em profissões como carpinteiros, agricultores, eletricistas ou canalizadores, através do ensino profissional.

“Como é que nós vamos conseguir 60 milhões de euros do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] para a habitação, seja para construção ou reabilitação, sem recursos humanos? Porque não temos nos Açores, não vamos conseguir cumprir”, alertou.

Já o primeiro candidato do PAN pela ilha Terceira manifestou “uma preocupação muito grande com a taxa de abandono escolar precoce nos Açores”, destacando a importância do ensino profissional.

“Achamos que estas escolas fazem um trabalho fundamental, porque percebem a falta de mão de obra qualificada que nós temos na ilha Terceira e direcionam os cursos para os alunos poderem garantir o emprego quando terminam esse curso”, vincou.

O Presidente da República dissolveu o parlamento açoriano e marcou eleições antecipadas após o chumbo do Orçamento para este ano.

Onze candidaturas concorrem às legislativas regionais: PSD/CDS-PP/PPM (coligação que governa a região atualmente), ADN, CDU (PCP/PEV), PAN, Alternativa 21 (MPT/Aliança), IL, Chega, BE, PS, JPP e Livre.

Em 2020, o PS venceu, mas perdeu a maioria absoluta, surgindo a coligação pós-eleitoral de direita, suportada por uma maioria de 29 deputados após assinar acordos de incidência parlamentar com o Chega e a IL (que o rompeu em 2023). PS, BE e PAN tiveram, no total, 28 mandatos.