O líder da Iniciativa Liberal (IL) nos Açores, Nuno Barata, espera que o resultado nas regionais antecipadas dê “peso suficiente” ao partido para poder influenciar as políticas açorianas e auxiliar o território na criação de riqueza.

O deputado único da IL, cabeça de lista por São Miguel e pelo círculo regional de compensação, disse, em entrevista à agência Lusa, que está disponível para “construir uns Açores com mais riqueza”.

“Este objetivo político, estratégico, só pode ser consubstanciado se atingirmos um objetivo eleitoral que nos dê peso suficiente para podermos influenciar as políticas açorianas, as políticas do futuro Governo dos Açores”, admitiu.

Nuno Barata, de 57 anos, natural e residente em Ponta Delgada, tem como objetivo primordial a reeleição de um deputado, mas se o partido atingisse um grupo parlamentar o futuro executivo seria obrigado a ter “mais atenção às políticas da IL”.

O candidato lembrou que na atual legislatura, com um deputado, os impostos baixaram e foi reduzido o endividamento da região “por via da pressão da IL”, que fez um acordo de incidência parlamentar, contribuindo para viabilizar uma maioria absoluta de direita encabeçada por PSD, CDS-PP e PPM, partidos no Governo Regional desde 2020.

Em março de 2023, Nuno Barata anunciou o fim do entendimento assinado com os sociais-democratas, criticando a sua falta de capacidade para promover a estabilidade junto dos parceiros de coligação.

“Se a IL tiver mais peso, mais força, mais representação parlamentar, poderá, de uma forma mais eficiente e mais eficaz, fazer essa pressão sobre um futuro Governo Regional, no sentido de melhorar a vida dos açorianos”, perspetivou.

O liberal, que já foi membro da Assembleia Municipal de Ponta Delgada (1993-1997) e deputado regional do CDS-PP (1997-2000), espera que a IL tenha “um bom resultado eleitoral” no dia 04 de fevereiro.

“Um bom resultado eleitoral é passarmos de uma representação parlamentar para um grupo parlamentar. Um resultado eleitoral razoável é mantermos a representação parlamentar que temos. Um resultado eleitoral desastroso seria desaparecermos do parlamento dos Açores”, disse.

Nuno Alberto Barata Almeida Sousa admite que a IL está disponível para eventuais entendimentos pós-eleitorais: “Nós nunca seremos problema para um futuro sereno da governação dos Açores, como não fomos no passado.”

“Nós estamos sempre disponíveis para ser parte da solução e nunca parte do problema”, acrescentou, lembrando que quando votou contra o Orçamento da região para 2024 entendeu que era a hora de devolver “a voz ao povo açoriano”.

Assim, o dirigente vai aguardar serenamente pelo resultado das eleições antecipadas: “E da mesma forma que fomos capazes de interpretar a vontade do povo açoriano que saiu das urnas de 25 de outubro de 2020, vamos ser capazes de interpretar a vontade do povo dos Açores de 04 de fevereiro de 2024.”

Para a IL, “não faz sentido haver contactos prévios”, falar de coligações ou de apoios parlamentares “sem o povo dos Açores se pronunciar” – seria “uma enorme falta de respeito” pelos eleitores.

O líder da IL/Açores desde 2020, que já militou no CDS-PP entre 1994 e 2020, admitiu que o partido não se coligará com o Chega “para coisa nenhuma”, mas salientou que os Açores “servem de laboratório para o resto do país”, já que em sede parlamentar todos os partidos aprovaram medidas de todas as forças políticas.

O gestor portuário, licenciado em Estudos Europeus e Política Internacional e mestre em Filosofia Contemporânea, Valores e Sociedade, referiu que a candidatura tem várias propostas para apresentar ao eleitorado.

O seu programa eleitoral tem “como bandeiras uma visão da sociedade mais autónoma e mais capaz”, com maior autonomia para as escolas e mais cuidados de saúde.

Na habitação, que o candidato considera “uma das maiores preocupações”, o partido acredita que “o liberalismo é a única via para resolver o problema”.

Às eleições de 04 de fevereiro concorrem, no total, 11 candidaturas, incluindo três coligações. A IL candidata-se em oito dos 10 círculos eleitorais.

Em 2020, na sua estreia em legislativas açorianas, obteve 2,01% entre os votos validamente expressos, ao concorrer em três círculos.