O Conselho de Redação do diário Açoriano Oriental, que se publica em Ponta Delgada, propriedade do Global Media Group (GMG), manifestou hoje a sua “enorme preocupação” pela “degradação” da imagem do jornal.

Os jornalistas falam em “danos reputacionais causados pelo clima de instabilidade e de quase autêntico terrorismo laboral causado pelas sucessivas tomadas de decisão da Comissão Executiva do GMG”.

O jornal Açoriano Oriental é detido pela empresa Açormedia, que por seu turno integra o GMG.

Em nota de imprensa, o Conselho de Redação refere que a situação que se vive no GMG “está a afetar a credibilidade do jornal e da empresa junto dos seus leitores e, também, junto dos seus parceiros comerciais e institucionais”.

Os jornalistas dizem-se “privados” do seu “maior direito”, que afirmam ser os salários, tendo os valores de dezembro sido pagos na quinta-feira, enquanto se continua “sem receber o subsídio de Natal de 2023, situação que causa enorme revolta e consternação”.

O Conselho de Redação refere ter feito “chegar à administração da GMG a discordância com o pagamento deste direito em duodécimos ao longo do ano de 2024”, mas esta “ainda não se dignou sequer a tentar uma negociação com os trabalhadores da Açormedia S. A. para o pagamento da verba que está em falta, numa atitude ilegal e de enorme prepotência”.

Em 28 de dezembro, a Global Media informou os trabalhadores de que não tinha condições para pagar os salários referentes ao mês de dezembro, sublinhando que a situação financeira é “extremamente grave”.

A Comissão Executiva não se comprometeu com qualquer data para pagar os salários de dezembro, mas sublinhou que estava a fazer “todos os esforços” para que o atraso fosse o menor possível.

O programa de rescisões na Global Media termina em 10 de janeiro, dia para o qual também foi convocada uma greve dos trabalhadores do grupo.

Em 06 de dezembro, em comunicado interno, a Comissão Executiva da GMG, liderada por José Paulo Fafe, anunciou que iria negociar com caráter de urgência rescisões com 150 a 200 trabalhadores e avançar com uma reestruturação que disse ser necessária para evitar “a mais do que previsível falência do grupo”.