O Bloco de Esquerda acompanhou hoje a mensagem de Ano Novo do Presidente da República, sobretudo no apelo ao voto e participação nas próximas eleições legislativas, em que o partido espera “uma grande viragem na política portuguesa”.

“Acompanhamos a mensagem do Presidente da República, o apelo ao voto, o apelo à responsabilidade e sobretudo a necessidade de uma grande viragem na política portuguesa. Esperemos que 10 de março seja exatamente essa etapa”, disse o dirigente do BE Luís Fazenda numa conferência de imprensa em reação à mensagem de Ano Novo do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República considera que 2024 será um ano ainda mais decisivo do que 2023 e apelou à participação dos portugueses nos atos eleitorais, salientando que o país será aquilo que os votantes quiserem.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, “2023 acabou com mais desafios e mais difíceis do que aqueles com que havia começado”.

“Mas a democracia nunca tem medo de dar a palavra ao povo e nisso se distingue da ditadura. Portugueses, 2024 irá ser largamente aquilo que os votantes, em democracia, o quiserem. Em Portugal, em março; na Europa, em junho; na maior potência do mundo, em novembro; e antes disso, em fevereiro, nos Açores. Um ano, afinal, ainda mais decisivo do que o ano de 2023”, advertiu o chefe de Estado na sua tradicional mensagem de Ano Novo, numa conjuntura de crise política, com o Governo em gestão e eleições legislativas antecipadas marcadas para 10 de março.

Sobre os alertas de Marcelo para o crescimento económico “sem justiça social”, ou seja, sem redução da pobreza, Luís Fazenda disse que essa é “a análise da política portuguesa” que o BE faz “desde há anos”.

“As contas certas não podem ser um fetiche, ser endeusadas ao extremo de impedir o investimento público e impedir a capacidade de regeneração, de organização e de funcionamento de serviços públicos essenciais na democracia, como a saúde, como a educação, vários segmentos da solidariedade social, como uma política pública de habitação”, disse o dirigente bloquista.

Luís Fazenda considerou que estas “são traves mestras do regime democrático tal como o conhecemos”, que “não podem ser subestimadas, desprezadas, não podem ser mesmo negligenciadas como vieram a ser por parte do Governo”.

O dirigente do BE disse que estes serão temas centrais da campanha para as legislativas por serem “temas do quotidiano dos portugueses”, sublinhando ainda “o brutal aumento do custo de vida, que é aquilo que inaugura o ano, neste dia”.