O presidente do parlamento dos Açores, Luís Garcia, considerou hoje que o “desenlace prematuro” da legislatura na região aponta para a necessidade de reforçar o diálogo e a capacidade de compromisso.

“O desenlace prematuro desta legislatura, reforça a necessidade de cultivarmos o diálogo e a capacidade de compromisso, como ferramentas democráticas essenciais”, afirma o presidente da Assembleia Legislativa Regional dos Açores, na sua mensagem de ano novo.

De acordo com Luís Garcia, “caberá a cada açoriano fazer a sua própria avaliação” das origens da crise política nos Açores.

O responsável máximo do parlamento regional considera que, “ao longo destes três anos, enquanto presidente da Assembleia Legislativa”, defendeu “sempre que a atual legislatura, para chegar ao fim, exigia de todos os intervenientes políticos muito diálogo, e uma enorme capacidade de compromisso e de negociação”.

“Mas hoje sei que essa necessidade não acaba aqui, pelo contrário”, afirma Luís Garcia.

Segundo o presidente do parlamento regional, a autonomia “tem estado demasiado habituada a maiorias absolutas, mas tem de se preparar para outros cenários, fruto da multiplicação partidária, que tudo indica ter vindo para ficar”.

“Uma autonomia que caminha a passos largos para os cinquenta anos, tem de demonstrar maturidade e flexibilidade. Tem de ter capacidade para encarar outros quadros políticos, saídos de eleições democráticas”, refere o responsável político.

De acordo com o líder da Assembleia Legislativa Regional, “o tempo em que se vive não é fácil, seja nos Açores, em Portugal continental, ou no resto da Europa, vive-se numa encruzilhada de incertezas”.

Luís Garcia diz que “aos desafios das migrações, do terrorismo, das alterações climáticas, e da pandemia, somaram-se os impactos da guerra” na Ucrânia e no Médio Oriente.

Para o responsável político, os motivos que levaram à crise nacional “devem preocupar seriamente qualquer democrata, porque enfraquecem e desacreditam as instituições, e a própria Democracia”.

O presidente do parlamento regional defendeu que “quem exerce funções públicas, deve encará-las como uma missão de serviço, orientada exclusivamente pelo interesse público”, sendo que, quando alguém se desvia dessa orientação, é o futuro de todos que fica em causa, porque a confiança fica irremediavelmente comprometida”.