Foto: José Araújo

O presidente da Assembleia dos Açores defendeu hoje que a região “precisa de estabilidade”, considerando que, apesar do “quadro político sensível”, deve existir “vontade de diálogo” e “compromisso nas soluções”.

“Os Açores vivem num quadro político muito sensível e desafiante. Apesar disso, tem imperado a estabilidade. Uma estabilidade que pode perdurar, se todos os agentes políticos mostrarem genuinamente vontade de diálogo e de compromisso nas soluções”, declarou Luís Garcia, que discursava na sessão solene do Dia dos Açores, que este ano decorre nas Lajes do Pico.

Foto: José Araújo

O líder do parlamento açoriano advogou que a região “precisa de estabilidade” para garantir o “apoio às pessoas e às empresas” e a “aplicação atempada dos fundos comunitários”.

“Os Açores não precisam de mais crises em cima de outras, agravando as já graves consequências da pandemia, da guerra na Ucrânia e da crise inflacionista. Precisamos, sim, de estabilidade, que garanta o apoio às pessoas e às empresas nestes tempos difíceis”, assinalou.

Agraciados no Dia dos Açores

Fotos: José Araújo

O social-democrata considerou ser tempo de “mostrar que os açorianos que vivem além-fronteiras não são menos do que os outros”, sugerindo a possibilidade do voto em mobilidade ou a criação de um círculo eleitoral próprio para a diáspora.

“Se o país lhes garante esse direito a nível nacional, não há razão para que se continue a fazer da distância física um entrave à participação na vida da sua Região ou da sua ilha”, realçou.

O presidente da Assembleia Regional considerou também que a “coesão” territorial tem sido a “maior falha” da autonomia da região.

“A verdadeira sustentabilidade não se constrói sem coesão. A tal coesão que tem sido a maior falha da nossa autonomia ao longo destes quase 47 anos”, declarou.

O líder do parlamento açoriano defendeu que é “essencial” que os Açores sejam “mais unidos e coesos”, de forma a “garantir as necessidades básicas de todas as ilhas”.

“Se assumimos que o maior desafio que temos pela frente é o despovoamento das ilhas, também temos de perceber que uma das soluções passa por uma aposta clara na coesão territorial, sem termos medo de quaisquer bairrismos, que nos desviam do essencial”, reforçou.

Luís Garcia deixou uma mensagem de “solidariedade” para a população da ilha das Flores, que “tem vivido tempos difíceis” devido à precariedade do porto comercial, que foi destruído pelo furacão Lorenzo em 2019 e fustigado pela depressão Efrain no final de 2022.

O presidente do parlamento açoriano lembrou ainda que a ultraperiferia da região “dá dimensão e centralidade atlântica a Portugal e à União Europeia”, uma vez que os Açores permitem que Portugal tenha uma “das maiores Zonas Económicas Exclusivas” da Europa.

“Haverá outro território que dê e acrescente tanto ao país? Só não vê quem não quer ver. Mas bem sabemos que haverá sempre centralistas que, dos telhados do Terreiro do Paço, nada veem, e nunca nada verão”, criticou.

O líder da Assembleia Legislativa Regional afirmou que “exemplos não faltam” de medidas nacionais que “deixam os Açores de fora, quer no incumprimento dos compromissos previamente assumidos”, quer na “falta de audição” do parlamento açoriano em “matérias fundamentais”, dando como exemplos a lei da eutanásia ou o IVA zero.

“A autonomia não desresponsabiliza ninguém. Muito menos o Estado”, concluiu.

O Dia da Região Autónoma dos Açores foi instituído pelo parlamento açoriano em 1980, através do Decreto Regional n.º 13/80/A, de 21 de agosto, para comemorar a açorianidade e a autonomia.

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