A AD perdeu no domingo as europeias para o PS por uma margem de 38 mil votos, mas subiu em percentagem e votos em relação a 2019 e 2014, numa eleição que o PSD não vence desde 2009.

Em mandatos, a AD manteve os sete eurodeputados que, há cinco anos, PSD e CDS-PP tinham conseguido em separado (seis e um, respetivamente) e há dez, nessa altura também numa coligação entre sociais-democratas e democratas-cristãos.

Em 2019, PSD e CDS-PP somaram 28,13% e 930 mil votos, contra os 31,1% e mais de 1,2 milhões de votos agora conseguidos, segundo os resultados provisórios, numa eleição em que a abstenção desceu.

Há cinco anos, o PPM, que integra a atual AD, concorreu na coligação Basta!, juntamente com o PPV e pessoas ligadas ao Chega, incluindo o líder André Ventura, obtendo cerca de 50 mil votos.

Nas últimas europeias, o PSD teve o seu pior resultado de sempre em eleições nacionais, ficando abaixo dos 22%, e o CDS-PP conseguiu 6,19%. Cinco anos antes, tinha tido o seu segundo pior resultado ao Parlamento Europeu: 27,7%, em coligação com o CDS-PP.

No domingo, Luís Montenegro registou a sua primeira derrota eleitoral desde que é presidente do PSD – venceu as legislativas e o PSD também ganhou duas regionais na Madeira e outra nos Açores -, mas considerou que, apesar de ter falhado o principal objetivo de “ter mais um voto” do que o PS, o balanço dos últimos dois anos “é francamente positivo”.

“O resultado dá-nos muito, mas mesmo muito alento para prosseguirmos nos próximos anos a caminhada que nos trouxe até aqui”, disse o também primeiro-ministro.

O líder do PSD salientou que o resultado da AD foi conseguido numa circunstância em que duas forças políticas à direita – Chega e IL -, que eram há cinco anos “inexpressivas”, conseguiram hoje quatro eurodeputados.

O PSD ficou a cerca de 1 ponto percentual do PS e teve menos 38 mil votos do que os socialistas.

Em relação às legislativas de março, que a AD tinha vencido também por uma escassa margem (54 mil votos e 0,85%), a coligação PSD/CDS-PP/PPM subiu em percentagem, passando de 28,8% para 31,1%.

Nas europeias de 2019, a diferença entre os dois partidos foi de 379 mil votos, com vantagem para o PS. Se se somar o resultado do CDS-PP, a margem da vitória dos socialistas foi de 176 mil votos.

O cabeça de lista da AD, Sebastião Bugalho, que tinha traçado como metas mínimas manter os sete eurodeputados e ter mais um ponto que a sua idade – 29% -, considerou que a coligação acaba esta campanha “de cabeça erguida” e gracejou sobre a curta margem de vitória do PS.

“Alguém até poderia dizer que foi mesmo por poucochinho”, disse Bugalho, numa alusão a palavras do socialista António Costa nas europeias de há dez anos, quando era secretário-geral do PS António José Seguro.

Com o resultado de domingo, o PSD perdeu seis das nove eleições europeias, só tendo vencido em 1987, em 1989 e em 2009, na primeira das três eleições como cabeça de lista do agora ministro Paulo Rangel, que conseguiu então 31,7% dos votos.

O melhor resultado de sempre do PSD em europeias ocorreu logo nas primeiras eleições que se realizaram em Portugal para o Parlamento Europeu, em 1987, numa lista encabeçada pelo ex-líder do PSD e agora independente Pedro Santana Lopes, com 37,5% dos votos.

Os eurodeputados eleitos pelo PSD foram Sebastião Bugalho, o vice-presidente do PSD Paulo Cunha, Ana Miguel Pedro (do CDS-PP), o ex-autarca Hélder Sousa e Silva, a única recandidata da lista Lídia Pereira, o também antigo presidente de Câmara Sérgio Humberto e o representante dos Açores Paulo Nascimento Cabral.

 

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