Partindo do pressuposto de que o feminismo é um movimento que se pauta pela igualdade entre homens e mulheres, é importante estar alerta para os falsos feministas.

São difíceis de detetar, mas se estivermos atentas e atentos, percebemos os seus tiques, subtis, mas identificáveis.

O falso feminista utiliza hipocritamente a modéstia. Com ele, e a seu lado, há lugar para as mulheres, desde que estas não ousem utilizar da sua capacidade crítica, questionando-o.

O falso feminista está sempre aberto ao diálogo, desde que esse mesmo diálogo vá ao encontro dos seus propósitos. Não tolera mulheres convictas do que dizem e que se afirmam sem pedir licença. Para ele, a mulher necessita ser meiga e cautelosa para defender as suas perspetivas.

Para o falso feminista, as mulheres têm direito a expressar as suas ideias. Aqui, o falso feminista, dentro da sua condescendência, recorrerá à estratégia do mansplaining. Ou seja, vai dizer exatamente a mesma coisa, passando um atestado de ignorância à mulher, mas utilizando outros vocábulos, porque ele é o maior do seu quarteirão.

O falso feminista gosta de dar espaço às mulheres, desde que estas se mantenham fiéis à sua imagem, não recorrendo a expressões faciais.

Para o falso feminista, se a mulher sorri é porque tem um ar escarnecedor, se está séria é porque é uma rude.

No fundo, o ideal seria quase a utilização de burcas para impedir o deslumbre que um sorriso sarcástico pode causar.

O falso feminista sente-se oprimido quando vê a sua zona de conforto em perigo, ainda mais quando é uma mulher a causar tal efeito.

Para o falso feminista, a designação de instabilidade emocional é o argumento para qualquer situação com uma mulher e para desculpar as opções tomadas.

A designação da instabilidade emocional é a sua maior arma de arremesso.

O falso feminista aprecia as mulheres assertivas, com garra, determinadas, até concluírem que só gostavam muito dessas características quando não as tinham a seu lado.

Para o falso feminista, a violência emocional sobre as mulheres existe desde que não seja exercida pelos amigos. Aí, a coisa já muda de figura e não é defeito, é feitio.

O falso feminista mantém o viés de género, atribuindo diferentes características às mesmas posturas de homens e mulheres, utilizando a velha dicotomia do homem seguro e da mulher mandona,ou seja, do homem boss e da mulher bossy.

Há um provérbio que diz “livrai-nos dos sonsos”, ao que eu acrescento “e dos falsos feministas”, pois é mais fácil lidar com um machista assumido do que com um falso feminista.