O Governo dos Açores acordou com a Federação Agrícola o apoio direto aos jovens agricultores na diminuição dos pagamentos à Segurança Social e apoios a todos os agricultores referentes ao aumento das taxas de juro, anunciou hoje o executivo.

“O apoio direto aos jovens agricultores na diminuição dos pagamentos à Segurança Social e apoios a todos os agricultores referentes ao aumento das taxas de juro são também medidas acordadas entre o Governo [Regional] e a federação”, refere uma nota de imprensa do executivo.

A nota segue-se a uma reunião, hoje, no Palácio de Sant’Ana, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, entre o presidente do executivo regional (PSD/CDS-PP/PPM), José Manuel Bolieiro, acompanhado do secretário da Agricultura, António Ventura, com o presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, marcada “antes das eleições” regionais do último domingo, ganhas por aquela coligação.

Segundo informação do Governo Regional, do encontro saiu “o compromisso do executivo em continuar a apoiar o adiantamento dos apoios comunitários relativos ao prémio dos produtos lácteos”.

“Permanece em vigor o apoio à compra de sementes de milho ou de sorgo, a aplicação de reformas antecipadas e é para manter a continuidade do fim dos rateios, ao contrário do que acontece na República, medida que veio garantir mais rendimento aos agricultores açorianos”, adianta a nota de imprensa.

O executivo de José Manuel Bolieiro esclarece ainda, entre outros aspetos, que, “em concertação com a federação agrícola, quer prosseguir a política de reconversão da produção leiteira em produção de carne, mantendo-se também apoios à redução voluntária da produção de leite”.

“O Plano Estratégico da Política Agrícola Comum, com medidas de apoio para se alcançarem os objetivos específicos para a Política Agrícola Comum (PAC), receberá candidaturas dos agricultores açorianos para investimento nas explorações agropecuárias”, acrescenta.

Na quinta-feira, os agricultores de São Miguel organizam uma marcha lenta, em Ponta Delgada, Lagoa e Ribeira Grande, para exigirem soluções para os problemas que o setor atravessa na região, foi hoje anunciado.

O protesto, organizado pelo Movimento Cívico de Agricultores de São Miguel, terá início pelas 10:00 locais (11:00 em Lisboa) na localidade dos Arrifes, no concelho de Ponta Delgada.

O porta-voz do movimento, Fernando Mota, disse à agência Lusa que são esperadas na concentração “algumas centenas de agricultores”, que participam com as suas viaturas e com os seus tratores.

A marcha lenta terminará na Associação Agrícola de São Miguel (em Santana, Rabo de Peixe, concelho de Ribeira Grande), onde os agricultores tencionam entregar o manifesto com as suas reivindicações.

Fernando Mota disse que a iniciativa é uma forma de os agricultores micaelenses reivindicarem soluções para o seu descontentamento.

“Nós não sabemos como é que vai ser a nova Política Agrícola Comum. Pelo que vai cá chegando, a conta-gotas, há mais uma série de restrições. Há esse descontentamento, porque competimos com produtos que vêm de outros países, que não têm as regras que nós temos, que não pagam os impostos que nós pagamos e é impossível, humanamente impossível, tecnicamente, economicamente impossível, nós produzirmos e ficarmos em pé de igualdade”, explicou.

No caderno reivindicativo, a que a Lusa teve acesso, os agricultores de São Miguel pedem, entre outras medidas, a prorrogação do prazo das candidaturas “no apoio direto aos jovens para diminuir os sobrecustos de pagamentos à Segurança Social”, “no apoio direto ao sobrecusto do aumento das taxas de juro” e no apoio à transição digital e inovação previstos no Plano de Recuperação e Resiliência, para a inclusão de sistemas automáticos de alimentação animal e ordenha.

Também na quinta-feira, pelas 09:00 locais, haverá outro protesto de agricultores em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, com início na Zona Industrial, para reivindicação de um “preço justo” para o leite e para os agroalimentos.