Os agricultores da ilha de São Miguel, nos Açores, vão organizar uma marcha lenta na quinta-feira, em Ponta Delgada, Lagoa e Ribeira Grande, para exigirem soluções para os problemas que o setor atravessa na região, foi hoje anunciado.

O protesto, organizado pelo Movimento Cívico de Agricultores de São Miguel, terá início pelas 10:00 locais (11:00 em Lisboa) na localidade de Arrifes, no concelho de Ponta Delgada.

O porta-voz do movimento, Fernando Mota, disse hoje à agência Lusa que são esperadas na concentração “algumas centenas de agricultores”, que participam com as suas viaturas e com os seus tratores.

A marcha lenta, com o percurso Ponta Delgada – Lagoa – Ribeira Grande, terminará na Associação Agrícola de São Miguel (em Santana, Rabo de Peixe, concelho de Ribeira Grande), onde os agricultores tencionam entregar o manifesto com as suas reivindicações.

Fernando Mota disse à Lusa que a iniciativa é uma forma de os agricultores micaelenses reivindicarem soluções para o seu descontentamento.

“Nós não sabemos como é que vai ser a nova Política Agrícola Comum (PAC). Pelo que vai cá chegando, a conta-gotas, há mais uma série de restrições. Há esse descontentamento, porque competimos com produtos que vêm de outros países, que não têm as regras que nós temos, que não pagam os impostos que nós pagamos e é impossível, humanamente impossível, tecnicamente, economicamente impossível, nós produzirmos e ficarmos em pé de igualdade”, explicou.

O responsável salientou que os lavradores açorianos também pedem “que haja mais controlo na marca Açores”.

“Porque sabemos que vêm produtos de fora da região, são misturados com os nossos e vendidos com a nossa categoria, com o nosso ‘marketing’, com o selo Açores. Isto não é correto”, frisou.

No caderno reivindicativo a que a Lusa teve acesso, os agricultores de São Miguel pedem, entre outras medidas, a prorrogação do prazo das candidaturas “no apoio direto aos jovens para diminuir os sobrecustos de pagamentos à Segurança Social”, “no apoio direto ao sobrecusto do aumento das taxas de juro” e no apoio à transição digital e inovação previstos no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) a sistemas automáticos de alimentação animal e ordenha.

A descida do imposto sobre os produtos petrolíferos do gasóleo agrícola, a redução do preço das rações, a aplicação de um sistema Simplex no licenciamento às explorações e na autorização de corte de matas, são outras das exigências.

Na quinta-feira, pelas 09:00 locais (10:00 em Lisboa), também haverá outro protesto de agricultores em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, com início na Zona Industrial, para reivindicação de “preço justo” para o leite e para os agroalimentos.