O presidente do PSD acusou hoje o PS de ter feito uma coligação com o Chega nos Açores para “deitar abaixo o Governo” Regional, e afastou qualquer incómodo de José Manuel Bolieiro com a sua presença na região autónoma.

Em declarações aos jornalistas na ilha do Corvo, Luís Montenegro foi confrontado com as palavras do secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, que na quinta-feira, num comício em Vila Franca do Campo, ilha de São Miguel, disse que o PSD inaugurou com o Chega uma nova aliança nos Açores, que designou de “Chega D”.

“A coligação que governa e vai governar os Açores é a do PSD, CDS e PPM. A coligação que deitou o Governo abaixo é a do PS com o Chega, não sei se é a essa que o dr. Pedro Nuno se estava a referir”, respondeu Montenegro.

Questionado se tem a garantia do líder do PSD-Açores e presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, de que não haverá acordos parlamentares ou de governação com o Chega após as regionais de domingo, Montenegro preferiu apelar ao voto dos açorianos para reforçar as condições de governabilidade.

“Votem bem, não desperdicem um excelente presidente do Governo Regional, não desperdicem uma coligação que traz esperança e desenvolvimento”, apelou, sem nunca se referir ao partido liderado por André Ventura.

Por várias vezes, Luís Montenegro defendeu que, nos últimos três anos, “a vida dos açorianos melhorou muito” e lamentou que esse percurso tenha sido interrompido porque o PS, o Chega, a IL, o PAN e o BE inviabilizaram a aprovação do Orçamento Regional para 2024.

“O Governo não caiu dentro da coligação, caiu pelo conluio político entre PS, Chega, IL, PAN e BE”, acusou.

Questionado se há algum incómodo com a sua presença na noite eleitoral em Ponta Delgada, o líder do PSD respondeu negativamente.

“De maneira nenhuma. O que há é um grande orgulho no trabalho que o José Manuel Bolieiro e o PSD/Açores fazem e tenho a certeza absoluta que isso é recíproco relativamente àquilo que venho a fazer como líder do PSD e candidato a primeiro-ministro”, afirmou, dizendo que, dentro de um partido, não é preciso fazer-se convidado para uma noite eleitoral.

Montenegro desvalorizou as críticas à sua presença nos Açores neste período, lembrando que também esteve na noite eleitoral na Madeira.

“Este é o meu registo, a minha forma de estar e ninguém me vai demover dela. Quem gosta gosta, quem não gosta, tenho pena, tem de procurar alternativas”, disse.

Perante a insistência se não teme que a sua presença na noite eleitoral possa dar alguma leitura nacional a eventuais alianças futuras com o Chega nos Açores, respondeu: “Não tenho receios na política, tenho obrigação de defender as minhas ideias e a minha forma de estar”.

Montenegro deslocou-se hoje ao Corvo – e estará no sábado nas Flores, a título privado – para terminar a iniciativa “Sentir Portugal”, que o levou aos 308 concelhos do país e a algumas comunidades portuguesas na Europa.

“É para mim um privilégio, uma honra muito grande ter estado em todos os cantos do território nacional e não só onde há muitos eleitores”, realçou.

Na ilha mais pequena do arquipélago dos Açores, o presidente do PSD tem no programa visitas a uma unidade de saúde e um museu e, à noite, um comício, terminando um programa que não conseguiu concluir no início de janeiro devido ao mau tempo.

No último dia de campanha eleitoral, Montenegro aproveitou para elogiar o caminho dos últimos três anos da coligação liderada pelo PSD, salientando que a Região Autónoma “cresce há mais de 30 meses acima” do resto do país, e deixou um apelo.

“Ninguém ganha eleições de véspera, as eleições só se ganham no dia e eu confio muito no juízo que os açorianos fazem do Governo de José Manuel Bolieiro e que integra também o CDS-PP e o PPM”, disse.

Onze candidaturas concorrem às legislativas regionais, com 57 lugares em disputa no hemiciclo: PSD/CDS-PP/PPM (coligação que governa a região atualmente), ADN, CDU (PCP/PEV), PAN, Alternativa 21 (MPT/Aliança), IL, Chega, BE, PS, JPP e Livre.

Em 2020, o PS venceu, mas perdeu a maioria absoluta, surgindo a coligação pós-eleitoral de direita, suportada por uma maioria de 29 deputados após assinar acordos de incidência parlamentar com o Chega e a IL (que o rompeu em 2023). PS, BE e PAN tiveram, no total, 28 mandatos.