Bem sei que o repito com frequência. Mas o maior problema regional é, sem dúvida, os baixos rendimentos. Salários, reformas, rendimentos de agricultores e pescadores, entre outros, são habitualmente insuficientes para as despesas do mês. Inacreditavelmente, esta difícil realidade praticamente desapareceu da Assembleia Regional. E isso não é um acaso: coincide com a perda do deputado regional da CDU.

Outra parte deste problema é a redução drástica do valor real dos rendimentos, nestes últimos anos. A pandemia e a inflação não conseguem explicar tudo. É que, olhando para a raiz do problema, conclui-se que os rendimentos do trabalho, em particular os salários, as pensões e os rendimentos de pescadores e agricultores, são sempre muito mais baixos do que a riqueza que produzem e do que o seu contributo real para a economia. Isto demonstra que esta é uma opção política de fundo, partilhada pelos vários governos regionais e por quem os tem apoiado.

No lado oposto das desigualdades, aumentam os lucros das grandes empresas regionais. São milhões de lucro todos os anos, em parte conseguidos à custa dos apoios públicos. Apoios sem quaisquer contrapartidas no aumento dos salários ou em emprego com direitos. Apoios que faltam às micro e pequenas empresas, que faltam aos trabalhadores! E assim se perpetuam as desigualdades!

A pobreza entre quem trabalha ou entre quem trabalhou toda a sua vida coloca em causa o nosso desenvolvimento. Que futuro tem uma região em que ter um emprego não permite fugir à pobreza? Em que os pais têm de fazer horas extra, perdendo tempo com os filhos? Tempo que devia ser para brincar, apoiar os filhos na escola ou, simplesmente, descansar…

Uma parte importante das propostas da CDU dirige-se a contrariar esta realidade. É urgente aumentar todos os salários, de forma significativa! É possível aumentar o acréscimo regional ao salário mínimo, proposta que foi repetidamente recusada pelo PS e pelo PSD! É necessário combater o trabalho sem direitos! É possível utilizar a autonomia regional para valorizar o trabalho e os trabalhadores, para elevar as condições de vida! E estas são questões centrais, cujas respostas serão decididas nas eleições de 4 de fevereiro!