Hoje, primeiro dia do ano, começo por fazer, muito especialmente aos Agricultores Açorianos, votos de um 2024 cheio de saúde, esperança e também, de muito sucesso na sua atividade.

Embora todos saibamos que o cenário destes últimos três anos não foi animador, até porque tivemos um Governo Regional que permaneceu insensível às dificuldades vividas pelos Agricultores Açorianos, 2024 faz vislumbrar algumas alterações, teremos eleições regionais a 4 de fevereiro e com elas alguma esperança e confiança no futuro.

Estes últimos três anos ficaram marcados pela saída de uma pandemia e pelo início de duas guerras, com efeitos económicos devastadores.

Foi a escassez de cereais, as rações mais caras, o combustível que praticamente duplicou e os fertilizantes pela hora da morte. Como se isso não bastasse, também as taxas de juro dispararam.

Não sendo culpado de nada disto, impunha-se ao Governo Regional maior proatividade na defesa da Agricultura e dos Açores. Impunha-se que procurasse minimizar a inflação e os custos de produção, principalmente nos setores primários, onde assenta grande parte da nossa economia.

Os mais atentos perceberam que o trabalho em prol da Agricultura foi escasso, e o que rendeu a este governo de coligação de minorias foi o aumento de nomeações e concursos públicos, principalmente na secretaria do Ambiente e da Agricultura. Mas mesmo os menos atentos perceberam, na carteira, que pouco ou nada foi feito a nível regional para dar a mão aos Agricultores Açorianos. Alias, foram as próprias associações do setor que afirmaram, publicamente, que a única coisa boa, nestes últimos três anos, foi o fim dos rateios.

O Partido Socialista não é contra o fim dos rateios, o Partido Socialista é contra a inercia, a preguiça e a falta de estratégia que o Governo de coligação adotou quando assumiu esta política.

Porque não é só o fim dos rateios que assegura o rendimento dos agricultores, alias, não é pelo aumento da subsidiação que se assegura o futuro da Agricultura.

Comparativamente aos rateios, este Governo tem retirado muito mais à agricultura.

Não foi à toa que este Governo de coligação se recusou a criar apoios deveras eficazes para as atuais dificuldades.

Não foi à toa que este Governo de coligação se recusou a criar apoios para o aumento no preço do gasóleo, para o aumento com as taxas de juros, como anteriormente tínhamos o SAFIAGRI.

Não foi à toa que este Governo de coligação se recusou a criar apoios específicos para jovens agricultores e para os danos resultantes de intempéries, à semelhança do apoio que foi criado em 2018 decorrente da seca que se fazia sentir.

Não é à toa que este Governo de Coligação não pagou alguns dos apoios prometidos, nomeadamente às associações do setor, ao suplemento dos abates de 2021 e à internacionalização e à divulgação dos nossos produtos.

E não é à toa que temos quilómetros de caminhos agrícolas literalmente ao abandono.

Não, este não foi o Governo do fim dos rateios, este foi o Governo dos rateios encapotados e todos os dias os agricultores sentem isso no bolso.

O Governo de coligação rateou a Agricultura para esconder a sua incompetência e falta de estratégia.

Precisamos de um Governo que seja capaz de olhar a Agricultura como um todo. Que não tenha só a capacidade de ir ao futuro, esquecendo-se do presente. Precisamos de um Governo que seja capaz de dar futuro à nossa Agricultura, com esperança e confiança.

Só assim 2024 poderá ser um ano prospero para a agricultura Açoriana.