Joaquim Machado, Deputado do PSD/Açores ALRAA

Com 2024 à espreita, é tempo de assumir compromissos para o Ano Novo. Em cada viragem do calendário somos generosos nos propósitos, nas intenções de fazer o bem, e assim voltará a ser, com passas ou sem elas, à meia-noite ou depois das badaladas, até que a passagem dos dias volte a esmorecer o que eram inabaláveis convicções, fazendo-nos regressar às rotinas da nossa imperfeição.

Mas o próximo ano traz, inevitavelmente, coisas novas à vida de cada um de nós. Nos Açores e na República teremos governos resultantes de eleições antecipadas. Logo se verá se com mais estabilidade, com a segurança e confiança que precisamos para ultrapassar as dificuldades que por aí vão.

Fosse outro o calibre dos políticos e povo não seria chamado às urnas antes do tempo devido – no país se a governação fosse blindada à corrupção e aos seus agentes; nos Açores se tivesse prevalecido o interesse geral sobre as vaidades e ambições pessoais.

O problema é tudo poder ficar como dantes, ou porventura pior. No atual quadro pluripartidário português, replicado também nos Açores, a fragmentação das votações tenderá, cada vez mais, a impossibilitar maiorias robustas, e mais ainda absolutas, que garantam uma governação duradoira. E não se vislumbra gente disponível para celebrar pactos de regime, para que cada governo cumpra o seu programa e mandato. Cinquenta anos depois, a nossa democracia ainda não amadureceu suficientemente para gerar decisões com tal alcance social e económico.

Até lá, resta-nos o propósito de decidir bem em fevereiro e março, dando sentido útil a cada voto.