O líder do BE/Açores, António Lima, afirmou hoje ter a certeza de que nenhuma administração do Hospital de Ponta Delgada despedirá os trabalhadores precários gerados pela covid-19 até que haja novo Governo.

Segundo António Lima, aquele hospital tem “mais de 300 trabalhadores com contratos extremamente instáveis, os chamados contratos covid-19, que o Governo Regional criou e aumentou exponencialmente”.

O dirigente do Bloco de Esquerda nos Açores falava aos jornalistas após uma reunião com o conselho de administração do Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada.

O bloquista recordou que, em 2022, foi apresentada no parlamento dos Açores uma proposta do BE com vista à integração dos 300 trabalhadores covid-19, tendo “a maioria [que suporta o executivo açoriano] afirmado que esta era uma medida populista e chumbado” a proposta.

“Passado um ano, veio o Governo Regional apresentar a mesma proposta, quando num só ano aumentou em mais de 200 os trabalhadores precários no Serviço Regional de Saúde. Eram cerca de 300, passaram para mais de 500”, afirmou o dirigente.

De acordo com António Lima, “quem criou o problema e não quis resolver há um ano, de modo algum tinha qualquer intenção de resolver”, tendo ressalvado que, “no que depender do Bloco, os trabalhadores serão integrados” no Serviço Regional da Saúde.

António Lima afirmou ter a “certeza de que nenhuma administração promoverá o despedimento desses trabalhadores até à entrada em funções do novo Governo e de uma nova Assembleia a partir das eleições regionais”.

O dirigente referiu, por outro lado, o subfinanciamento da Saúde nos Açores, tendo apontado que, no Hospital de Ponta Delgada, “no ano passado, faltaram cerca de 13 milhões de euros e, neste momento, com base nos resultados que são públicos, em 2023 este valor poderá atingir os 26 milhões de euros”.

“Este é um valor brutal que terá consequências gravíssimas ao longo do tempo no Serviço Regional de Saúde”, afirmou o dirigente do Bloco, que defende que “este terá que ser bem financiado e gerido”, uma vez que “os recursos são escassos”.

António Lima considerou que a “precariedade dos serviços públicos da região não é de agora e não começou com este Governo Regional, vem dos governos do PS”, estando-se perante “duas faces da mesma moeda”.

O líder do BE/Açores considerou que o Serviço Regional de Saúde “não tem os recursos necessários por opção política”, tendo descartado a necessidade de um resgate financeiro do setor.