Foi chumbada a proposta de Plano e Orçamento. Uma proposta em que a coligação passava a ideia de que faria num ano aquilo que não conseguiu fazer em três. Uma fantasia que nem mesmo o Governo, que nos últimos meses abdicou de governar para se dedicar exclusivamente a ações de campanha eleitoral, acreditava.

PSD, CDS e PPM, com uma infindável sede de poder, assinaram acordos de incidência parlamentar com a Iniciativa Liberal e com o chega, e, nem mesmo em março quando a crise política se instalou, com o rasgar de acordos, Bolieiro  teve a preocupação e hombridade para salvaguardar as açorianas e os açorianos, reconhecendo que a coligação não apresentava as condições necessárias para governar a nossa Região.

Bem pelo contrário, nas últimas semanas, o governo apostou tudo na chantagem emocional, tentando passar a ideia de que, sem a aprovação do Orçamento, não seria possível aumentar os rendimentos dos funcionários públicos nem aumentar os apoios sociais. Uma vergonhosa estratégia que lançou o caos nas pessoas, fazendo-as acreditar que sem a aprovação do Orçamento, nada poderia ser concretizado. Uma manipulação que demonstra bem o desrespeito pelas pessoas.

Nada mais falso! A maioria das medidas, em Orçamento, está à distância de uma resolução do governo. O governo só não o fará se não quiser!

 

No que diz respeito ao aumento dos rendimentos dos funcionários públicos, não posso deixar de assinalar que os partidos da coligação, muito recentemente, votaram contra uma proposta do Bloco que aumentava a abrangência da remuneração complementar, percebendo-se facilmente que esta nunca foi uma medida desejada pelo Governo Regional.

Por outro lado, e para que fique registado, as alterações à Progressão na carreira da Função Pública que estão na proposta de Orçamento resultam de um processo negocial que está a decorrer a nível nacional e não de uma vontade espontânea do Governo Regional.

O Governo apresentou este Plano e Orçamento, não a pensar na região, mas sim a pensar na sua sobrevivência política.

A governação da direita – que juntou PSD, CDS, PPM, IL e o ch – conduziu os Açores a um beco sem saída: temos um governo gasto, sem ideias para resolver os problemas da Região, e um governo sem futuro.

A responsabilidade da crise política é da direita. De toda a direita: dos partidos que governaram, e dos partidos que os deixaram governar e é a estes partidos que devem ser pedidas satisfações.

A instabilidade foi sempre a marca desta solução governativa.

Deixem-se de lamúrias, de discursos falsos e de “lágrimas de crocodilo”. A culpa do atual cenário é vossa. Só vossa.