O líder histórico do PS, Mário Soares, escreveu um ensaio autobiográfico politico e ideológico intitulado “Um político assume-se”. E um líder muito mais, acrescento eu. Vem isto a propósito, obviamente, da crise política nos Açores. Vi, como sempre, as diversas sessões parlamentares que supostamente estavam dedicadas à discussão da proposta de plano e orçamento para 2024. Assisti a uma tática kamikaze por parte do PS/Açores: os debates de ilha. Aproveito para prestar a minha solidariedade a alguns Deputados. A loucura chegou a um ponto de ouvir um Deputado dizer que “este Governo era o pior de sempre para a ilha do Corvo”. Do Corvo?! E ouvi, igualmente, intervenções substantivamente inacreditáveis. Na forma até estavam bem construídas, mas convinha terem alguma adesão à realidade. Passando para um nível mais geral… O PS não pode passar a ideia que haver orçamento a 1 de janeiro de 2024 ou a meio do ano é a mesma coisa.

O PS não pode, por exemplo, dizer que os funcionários públicos não precisam do orçamento para subirem na carreia com 6 pontos. O PS não pode fazer isto e muito daquilo que vi e porquê? A razão é simples. O PS é (ou devia ser) um partido responsável e com memória do seu passado. Infelizmente, não foi nada disso que aconteceu. O PS está bloqueado a meio da ponte. Nem para trás, nem para a frente. Aceita (penso eu) grande parte das medidas sociais e de aumento do rendimento que constavam da proposta, mas votou contra. E fica à espera do Presidente da República, uma vez que nem quer ouvir falar em moção de censura. Não se percebe este lavar de mãos! Isto não é de um partido de poder. O PS não é um partido de protesto! A violência das palavras do PS, ao longo de todo o debate, não podem ficar sem a consequente ação seguinte. Esperar que outros decidam aquilo que nós queremos não é de um partido com a dimensão do PS. Um partido como o PS não se pode esconder atrás de outros. A hora, ainda que com largo atraso, era de dizer presente aos Açores. O PS optou por chamar pelo Presidente da República. É uma opção que muito se lamenta. Não surpreende, mas entristece todos aqueles que acham que o PS é muito mais do que isto. O PS é (ou devia ser) um partido de ação. Mas está, infelizmente, cada vez mais tornado num partido de omissão. O PS falha aos Açores. Um partido que diz que “o governo está politicamente morto desde março de 2023” não pode continuar à espera. O que vai fazer o PS se o Presidente não avançar para a dissolução? Esta atitude passiva não tem qualquer justificação. O PS decidiu entrincheirar-se. Os Açores precisam de um PS na linha da frente. À superfície. Sem medo! Esse PS, se existisse, há muito que já tinha colocado tudo em pratos limpos. Assim não quis. E continua a não querer. Seguramente tem razões. Não sei onde estão, mas, na realidade, gosto é de futebol! E aí, quem joga com medo de perder… acaba sempre por perder!