Quinze jovens açorianos com diabetes do tipo 1 (dependentes da adição de insulina) estão a participar numa ação de sensibilização sobre alimentação saudável e prática desportiva que está a decorrer na ilha do Faial.

“É extremamente importante esta iniciativa, porque permite uma partilha de experiências entre os jovens, e entre os jovens e os médicos, nutricionistas e enfermeiros, fora do ambiente hospitalar”, explicou à Lusa a diretora do Serviço de Endocrinologia do Hospital do Divino Espírito Santo, de Ponta Delgada (que organiza o evento), Isabel Sousa.

Alguns dos participantes nesta semana educativa já o fazem há vários anos e notam uma evolução muito grande no controlo da doença, referiu António Alexandre, de 46 anos, que participou em edições anteriores, mas agora está no projeto na qualidade de monitor.

“Quando eu comecei com a diabetes, há 38 anos, não havia qualquer tipo de aparelhos para controlar a doença. A glicemia era medida com fitas, de diferentes cores, nós próprios é que picávamos o dedo. Era um bocado assustador, digamos assim, mas hoje em dia a tecnologia veio tornar a vida mais facilitada ao diabético”, frisou.

Também os mais novos vão aprendendo aos poucos a conviver com a diabetes tipo 1, como indicou Alexandre Simas, de 13 anos de idade, para quem a maior preocupação é alimentar-se de forma saudável.

“A preocupação que eu tenho é em ter sempre uma comida saudável e essa comida tem de ser contabilizada ao nível de hidratos de carbono. Não pode ser uma comida gordurosa, porque as gorduras fazem mal”, advertiu o jovem, que admite ter sentido dificuldade em adaptar-se à sua condição de doente diabético.

Os Açores são uma das regiões do país com maior prevalência da diabetes, mas do tipo 2, que, segundo Rui César, médico jubilado da Hospital do Divino Espírito Santo e um dos convidados da 16.ª Semana Educativa para Jovens Diabéticos, pode ser controlada com simples exercício físico.

“A diabetes podia melhorar imenso se as pessoas tivessem o mínimo de cuidado. Fazer uns passinhos! Cinco a seis mil passos por dia não é muito. São três a quatro quilómetros e ao fim do mês isso conta”, alertou o médico, lamentando que as pessoas não pratiquem mais exercício físico nos Açores.

Além da confeção de comida saudável, os jovens que participam nesta iniciativa vão realizar atividades físicas, como a subida ao vulcão dos Capelinhos ou a descida do fundo da caldeira, duas das principais atrações turísticas do Faial.