Joaquim Machado, Deputado do PSD/Açores ALRAA

Há sempre uma segunda vez. Tomara que não houvesse, mas o apetite é grande e incontido. Falo, naturalmente, do centralismo, da sua apetência para travar as autonomias e os correspondentes poderes. Os 50 anos de democracia são fartos em ataques desferidos por Lisboa e até em lutas inglórias, que em nada desmerecem os empreendedores insulares e os objetivos que almejavam.

Este centralismo bafiento, reminiscência de um Estado secularmente colonial, é transversal a todo o espectro partidário, não tem padrão, embora, ironicamente, mais intenso e visível na área socialista e com exceções em ambos os lados.

Na hora de deixar a governação, os líderes socialistas não resistem a atentar contra os Açores, declaradamente ou sub-repticiamente.

Em 2002, dois anos e meio depois do sismo que assolou o Faial e o Pico, no último dia em S. Bento, Guterres assinou um despacho inócuo a transferir para a Região a comparticipação do Estado nas obras de reconstrução, que até ali nunca havia chegado. Sem enquadramento legal a verba não veio para os Açores, apesar de Carlos César reclamar com o célebre princípio de “legal ou ilegal, o que interessa é que venha o dinheiro”.

Agora, foi António Costa a requerer ao Tribunal Constitucional a declaração da inconstitucionalidade e ilegalidade de três diplomas regionais sobre matérias relativas à gestão de bens do domínio público marítimo, dois deles ainda da autoria de Vasco Cordeiro. Sorrateiramente, às 20h33 do derradeiro dia de governo, vingou-se pela última vez das duas derrotas que os açorianos infligiram ao PS em cinco semanas.

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