O Juntos Pelo Povo (JPP) nos Açores considerou hoje que a possível redução do comprimento da pista do aeroporto da Horta, no Faial, é “a prova clara da inação e incompetência dos políticos ao longo dos anos”.

Em comunicado, o JPP/Açores adverte que “a venda da ANA Aeroportos à Vinci foi mais um momento triste da gestão dos interesses nacionais e que esta situação fica bem patente no caso do aeroporto da Horta onde, agora, o que acontece é um ‘passa culpas’ entre políticos em desempenho de funções na região e fora dela”.

Na terça-feira, o Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) revelou que endereçou uma carta ao secretário de Estado das Infraestruturas, Frederico Francisco, a manifestar “preocupação e desagrado face à proposta da ANA/Vinci para a utilização de parte da pista atual do aeroporto da Horta para proceder à implementação das RESA (‘runway end safety areas’)”.

Recordando que o executivo tem sido “parte amplamente interessada e empenhadamente ativa” no processo para a ampliação da pista do aeroporto da Horta, o Governo Regional, de coligação PSD/CDS-PP/PPM e liderado por José Manuel Bolieiro, salientou ter ficado surpreendido com a intenção da ANA/Vinci.

A concretizar-se, explicou, a decisão “implicará a redução das distâncias declaradas da pista atual em 180 metros (90 metros em cada soleira da pista), inviabilizando a operação de aeronaves ‘turboreator’, como o Airbus A320 atualmente utilizado pela Azores Airlines para ligações entre a Horta e Lisboa”.

“Esta situação penalizaria muito significativamente a conectividade e a mobilidade dos açorianos e afetaria o princípio da continuidade territorial, criando sérios constrangimentos às ligações diretas entre o território nacional continental e a ilha do Faial”, referiu o Governo dos Açores.

Hoje, em comunicado, o coordenador regional do JPP nos Açores, Carlos Furtado, refere que o assunto mostra, por comparação, “a dimensão do erro que consiste [em] privatizar a Sata Azores Airlines, porque uma vez a companhia privatizada, a mesma estará condenada ao desinvestimento do acionista, como está a acontecer com a Vinci/ANA”.

Carlos Furtado lamenta que, “só agora”, se tenha posto a concurso o projeto de ampliação da pista do aeroporto da Horta, mas entende que “esta é apenas uma manobra dilatória para tentar enganar a Agência Europeia para a Segurança da Aviação, procurando-se, assim, disfarçar a ineficácia dos políticos responsáveis por este assunto”.

“Perante o que se está a passar com o aeroporto da Horta, as consequências da venda da ANA e os constrangimentos que envolvem a ampliação deste aeroporto”, o JPP/Açores mantém a convicção de que a privatização de parte da companhia de aviação SATA, “conforme entende a coligação AD [PSD/CDS-PP/PPM] e seus possíveis aliados, Iniciativa Liberal e Chega, é um erro estratégico gravíssimo para a região”.