O presidente do Chega remete para a estrutura regional do partido uma decisão sobre um eventual apoio ao governo dos Açores, referindo que não vai dar indicações sobre a votação do programa do executivo do arquipélago.

“O Chega/Açores tomará a sua decisão de acordo com este quadro de valores. E aí estamos de acordo que é: esta convergência deveria existir e rejeitar todo o tipo de acordos de incidência parlamentar”, afirmou André Ventura.

Esta posição foi transmitida em entrevista à agência Lusa a propósito das eleições legislativas de 10 de março, gravada antes de o PS ter anunciado que vai votar contra o Programa do Governo dos Açores.

Na sexta-feira, o presidente do Chega/Açores indicou que o partido está disponível para viabilizar o Programa do Governo da coligação PSD/CDS-PP/PPM se integrar o executivo e se ficarem de fora os líderes açorianos dos dois partidos minoritários.

O líder do Chega foi questionado sobre o cenário político naquela região autónoma, após as eleições regionais do último domingo, que a coligação PSD/CDS/PPM venceu, com 26 deputados, ficando a três da maioria absoluta. O Chega conseguiu cinco mandatos.

André Ventura disse que não vai “dar nenhuma” indicação ao líder do Chega/Açores, José Pacheco, sustentando que cabe àquela estrutura decidir “se viabilizará ou não um Governo, se integrará ou não um Governo” ou até se poderá viabilizar o orçamento regional.

“Se fosse eu a decidir, se fosse açoriano, se fosse líder do Chega/Açores, procuraria garantir uma solução de estabilidade. O que eles vão fazer lá? Não sei”, afirmou.

O presidente do Chega defendeu que “deve haver um acordo e uma convergência” e indicou que “está a haver contactos de natureza informal”.

“O Chega disse desde o primeiro momento que estava disponível para trabalhar nessa convergência”, salientou, considerando uma injustiça responsabilizar o seu partido caso o próximo Governo Regional caia.

André Ventura voltou a insistir num acordo com o PSD, apontando que “o ideal, o normal, o saudável, é partidos da mesma área política criarem pontos de convergência e procurarem oferecer uma solução de governo para quatro anos”, e apontou que “não haverá outra solução possível”.

Ventura apontou que se for recusado um acordo com o seu partido, não terá sido o “Chega que se pôs ao lado do PS, foi o PSD que atirou o Chega para o outro lado”.

Perante a insistência para dar a sua opinião sobre o que deve o Chega/Açores fazer, André Ventura disse que “vai depender do programa de governo e de como estas conversações evoluírem”.

“O que eu espero é que haja uma solução de estabilidade para apresentar às pessoas [e dizer] aqui está um governo que vai durar quatro anos, [com] garantias de estabilidade, de execução do seu programa, luta contra a corrupção, etc… Se isso vai acontecer, não lhe posso garantir, porque não depende de mim”, afirmou.

Afirmando que o líder da coligação, o social-democrata José Manuel Bolieiro, fez “um piscar de olhos ao Partido Socialista, a ver se o Partido Socialista vai viabilizar o Governo dos Açores”, Ventura considerou que, “taticamente, para o Chega, isso até era o ideal”, pois assim “fica o único partido a fazer oposição contra os dois outros partidos”.