O coordenador do Juntos Pelo Povo (JPP) nos Açores defendeu hoje que o líder da coligação que venceu as eleições sem maioria absoluta deve constituir governo e os partidos assumirem as suas obrigações “de forma responsável”.

“Cabe ao líder da coligação [PSD/CDS-PP/PPM, José Manuel Bolieiro] constituir governo em minoria e esperar que os partidos com representação na Assembleia Regional, e que em outros tempos estiveram envolvidos em incidências parlamentares, assumam, agora, e de forma responsável, as suas obrigações”, referiu Carlos Furtado, citado num comunicado hoje divulgado pelo partido.

O coordenador regional do JPP/Açores entende que as condições que existem para a formação do novo Governo Regional “são aquelas que foram definidas pelos eleitores em 04 de fevereiro”.

Na nota, depois de referir que o distanciamento político entre o PS e o PSD “é um direito que os açorianos têm”, lembra que durante a campanha “sempre defendeu que quem deve governar é quem ganhou as eleições”.

Carlos Furtado, que foi cabeça de lista nos círculos de São Miguel e da compensação, também recorda que “sempre esclareceu que o JPP estaria ao lado de quem ganhasse as eleições, respeitando, assim, a vontade do povo quanto a quem deveria liderar o próximo Governo Regional”.

O JPP concorreu pela primeira vez nos Açores e nas eleições regionais realizadas no domingo não obteve votos para estar representado no próximo Parlamento Regional.

O dirigente salienta ainda no comunicado que “há falta de vontade de fazer política séria na Região” e que a constituição da próxima Assembleia Regional “corre o sério risco de ficar marcada por falta de diálogo e concertação por parte das forças presentes, o que pode motivar prejuízos de operacionalização da vida quotidiana dos Açores”.

A reação do JPP surge após o PS/Açores ter anunciado, na sexta-feira, que vai votar contra o Programa do Governo da coligação PSD/CDS-PP/PPM, que venceu no domingo as eleições regionais sem maioria absoluta.

Em conferência de imprensa, o presidente do PS/Açores, Vasco Cordeiro, anunciou que o partido vai votar contra o Programa do Governo da coligação liderada pelos sociais-democratas, considerando que “há política nacional a mais e Açores a menos na gestão que a coligação PSD/CDS-PP/PPM e Chega estão a fazer da situação resultante das eleições de 04 de fevereiro”.

Também na sexta-feira o presidente do Chega açoriano, José Pacheco, disse que o partido está disponível para viabilizar o Programa do Governo da coligação se integrar o novo executivo e se ficarem de fora os líderes locais do CDS-PP e do PPM, Artur Lima e Paulo Estêvão, respetivamente.

Nas eleições regionais de domingo, PSD/CDS-PP/PPM elegeram 26 deputados, ficando a três da maioria absoluta.

José Manuel Bolieiro, líder da coligação de direita, no poder no arquipélago desde 2020, disse que irá governar com uma maioria relativa nos próximos quatro anos.

O PS é a segunda força no arquipélago, com 23 mandatos, seguido pelo Chega, com cinco mandatos. BE, IL e PAN elegeram um deputado regional cada, completando os 57 eleitos.